sábado, 16 de julho de 2011

Dê relevância ao que é relevante

Parei de chorar olhando para o espelho. Houve um tempo em que eu chorava todos os dias. Achava que minha vida era a pior que existia e não sabia que ela estava ruim porque eu a fazia assim. Me ver chorar era auto-comiseração, como uma auto-afirmação do quanto eu fui injustiçada, maltratada, esnobada, desprezada, mal amada, e todos os "adas" negativos possíveis.

Hoje quando meu filho cai, não dou muita atenção para o tombo dele. Falo apenas "que isso, meu filho? Tombinho a toa! Não foi nada, não! Levanta! Vai brincar!" Isso foi uma lição que aprendi recentemente: quanto mais importância damos às coisas ruins que nos acontecem, mais proporção elas ganham dentro do contexto.

Ainda choro quando fico triste. Porque é humano se permitir ficar triste. Mas não permito que esse sentimento se aposse de mim e more no meu coração como um parasita. Por isso eu digo que nada acontece na nossa vida fora do tempo. A maternidade tem sido uma dádiva em termos de aprendizado e crescimento para mim. Como eu descobriria tudo isso se eu não tivesse engravidado naquela ocasião? Como seriam meus dias sem a presença irradiante do meu filho amado? Certamente, mais opacos.

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