domingo, 15 de junho de 2014

Ensimesmarse

Na canção "Nada por mim", do Kid Abelha, o sujeito queixoso reclama de um companheiro que não lhe retribui a dedicação empenhada e, portanto, ele tenta bater a real na outra pessoa e diz: "não vá pensando que eu sou seu".
Infelizmente, gostaria que minha vida fosse menos complexa nesse aspecto. Ora estou de um lado contracenando com uma pessoa que me desdenha, ora estou de outro partindo o coração de alguém que me quer bem. Por quê? Eu me pergunto, por quê? Pooorr quêêê????
Seria tão mais simples amar e ser amado na mesma proporção. Sem cobranças, sem incertezas, sem rusguinhas, sem a pessoa se sentir "fácil demais".
Pense comigo, nobre leitor, o quão bom seria se fôssemos programáveis. Sabe, quando você entra nesses ambientes automatizados em que basta dizer "luz ligar" e pluft! as luzes se acendem. Agora, imagine: "coração amar" e pronto. Deus, em sua infinita sabedoria, não quis nos poupar desse sofrimento do não controle das emoções e sentimentos. Por quê? Eu me pergunto, por quê? Pooorr quêêê????
Mas, ultimamente, tenho cogitado uma hipótese que pode dar certo. Não sei. É meio arriscada, maaass... Imaginei que eu posso simplesmente amar a mim mesma. Sim, canalizarei toda a atenção que possuo, todo o carinho, todas as ideias fantásticas e as darei a quem de fato as merece: eu. Outrossim, quem mais poderia me retribuir na mesma proporção todo afeto, respeito e amor? Esperar isso de outra pessoa que não seja eu seria por demais injusto, não é mesmo? Pois, apesar do meu egoísmo, compreendo que cada pessoa possui necessidades diferentes, tal como na canção.



quarta-feira, 4 de junho de 2014

Paradoxo

Já contei a vocês que tenho um fetiche por homens de All Star. Sim, homens. Não digo rapazes, meninos, crianças e, sim, homens. Aquele cara de seus 30 e poucos anos, que em vez daquele sapato preto sisudo calça um lindo tênis All Star cáqui ou preto. Não sei o real motivo. Fetiches são assim: inexplicáveis. 

Ontem descobri um novo. Homens de terno pilotando moto. Uau!!! Passou por mim e não pude deixar de segui-lo com os olhos até onde a vista alcançou. Enquanto eu o observava tecia pensamentos de mim para mim mesma dizendo: que lindo! que paradoxal! que postura! que irreverência! Era uma moto grande, talvez uma Honda Bros. O que aumentou ainda mais a imponência daquele homem de terno, com a gravata esvoaçante. Imaginei-o descendo da moto na porta do seu trabalho. Talvez um advogado, ou um representante comercial, ou um político... não importa! Na minha imaginação ele descia da moto, tirava o capacete e, ao mesmo tempo que retirava a pasta do compartimento na garupa da moto, guardava-o lá dentro. Passava a mão pelos cabelos, nem curtos, nem longos. Uma breve olhada no retrovisor. Ajeitava a gravata e adentrava.

Acho que meu interesse está no fato de não esperarmos que alguém de terno ande de moto. Engravatados andam de carro e quanto mais luxuoso o carro, maior o nosso (meu) descaso. É trivial um homem de terno pilotando um Azzera, por exemplo.

Está provado. Meu olhar sucumbe sempre ao inesperado. Não ao bizarro, mas ao estiloso. Aquele que se impõe, que chega e pá: cheguei!