quinta-feira, 29 de março de 2012

Atendimento

-Eu quero pegar um talão de cheques.
-A conta da senhora é de pessoa física ou jurídica?
-Como assim?
-A conta é da senhora ou de empresa?
-Mas eu não tenho empresa!
-Looogo, a conta é da senhora, não? Portaaanto, é de pessoa física. Qual o número da conta?
-Uai! Precisa?

terça-feira, 27 de março de 2012

Seja bem vindo, 36

Gosto de agradecer pelas pequenas coisas da vida. Principalmente as pequenas. Você já agradeceu a Deus por não ter nenhum corte no dedo hoje? Aposto que se tivesse cortado não se esqueceria de lembrar o quanto é bom quando não estamos sofrendo de mal algum. É sempre assim: eu era feliz e não sabia.

Portanto, lembrei de agradecer às forças naturais por ter me emagrecido. Não que eu fosse uma obeeesa imeeensa, não! Mas eu engordei quase 15 kg com a gravidez. Meu filho nasceu com quase quatro, digamos que uns dois kilos fosse de placenta e líquido amniótico, restou, portanto, 9 kg de massa corporal não pertecente ao meu corpo, mas que insistiu em permanecer aqui por quase dois anos.

Você já passou pela experiencia de tentar colocar uma calça jeans que antes lhe servia perfeitamente e ela não passar nem pelo seu quadril? Nem queira! Dá, tipo assim, um sentimento de que nunca mais você terá o seu corpo de volta e que se tornou uma aberração da natureza. Disforme, pelanquenta, cheia de estrias. Eu era assombrada por um desgosto profundo sempre que me olhava no espelho.

Quase três anos se passaram desde então. Voltei a pesar meu peso normal e o melhor de tudo: manequim 36! Eu não sou feliz com meu corpo. E acho que poucas mulheres são. Entretanto nossa relação (Ana Paula x Corpo da Ana Paula) está bem mais harmônica depois do silicone (que se eu soubesse que me faria tão bem, teria colocado há seis anos atrás!). A luta agora é com um "calinho" abdominal que teima em permanecer. Ele parece o Seu Madruga. É um péssimo inquilino e se recusa a sair e vai ficando por 13, 14, 15 meses... sem pagar aluguel. Um dia dou-lhe uma ordem de despejo nas fuças! Emitida por ninguém mais, ninguém menos, que meu cirurgião plástico! Ah, se dou!

domingo, 25 de março de 2012

Coisas de mãe, parte III

Muitas vezes ficamos dias e dias tentando descobrir a razão de certas coisas. Encontrar respostas. Questionamos Deus e o Mundo. Mas, de repente, não mais que de repente a verdade nos é revelada. Tenho de confessar a vocês que não sou esse poço de virtude quanto à maternidade que pareço ser. Tenho defeitos, como toda mãe. Entretanto, na maioria das vezes faço o melhor que posso.

Onde eu quero chegar com isso?

Por mais de três anos eu tenho me martirizado dizendo "por que aconteceu isso justamente comigo?", "por que eu tenho de criar essa criança sozinha, sendo que não a fiz sozinha?", "por que eu não coloquei aquela bendita camisinha, Deus? A minha vida estaria tão diferente hoje...".
E ontem à noite veio-me a grande revelação. A resposta para essas e outras tantas perguntas que sempre me fiz desde que engravidei veio quando meu filho proferiu três palavrinhas: Pêdo ama voxê.

E ele não disse isso em troca de nada! Estávamos assistindo a um filme juntos na cama, de repente ele se virou para mim e disse que me amava. Terminamos de assistir ao filme, ele dormiu e eu ainda fiquei alguns instantes pensando naquilo. E conclui que meu filho veio para dar sentido a minha vida. Sim, ela estaria muito diferente do que é hoje. Eu teria mais liberdade, mais dinheiro, menos comprometimento com horários, poderia fazer tudo que eu quisesse sem ter de dar satisfações a alguém ou pensar que tenho um filho para criar. Mas e daí?

Meu filho preenche meus dias. O crescimento e o aprendizado dele são para mim dádivas que recebo a todo instante. E se Deus quis que eu o criasse sozinha, certamente há um propósito aí que ainda me será revelado.

Eu sou amada!

Isso não é maravilhoso? Além da minha mãe, há outra pessoa que me ama! Talvez você possa dizer que uma criança não tem exata ideia do que é o amor. Nem alguns adultos tem! Mas o carinho dele quando está junto a mim e o enlaçamento que temos entre nós é tão lindo, tão cúmplice, que quero sim acreditar que ele me ame. Ao menos, ele me disse isso! E o Pedro Paulo tem sim noção do que é amar. Acreditem! Quando ele está bravo comigo, diz: Pêdo num vai amar mamãe mais não!

Tenho deixado de fazer muitas coisas que gosto em prol da criação do meu filho. Isso, às vezes, me revolta e frustra um bocado. Contudo, nesses momentos procuro substituir esses sentimentos pelas seguintes imagens e falas:
-Maaaaaamããããeee, voxê chegou!! Péga o Pêdo! Vamu ouvi música no carro seu? - E ele já está na porta do carro antes mesmo de eu descer dele, quando chego do trabalho.
-Mamãe, vamu brincar Pêdo lá fora? Só um poquim! Gorinha a gente volta. - E faz aquele sinal de pouquinho com os dedinhos.
-Pêdo vai fazê papá gostoso pra mamãe e voxê vai papar tudim. Fica aí. Pêdo vai pegá o papá. Hummm...
-Maa-mãee, dexa Pêdo mimi cantim seu?

Para quem não tem filhos, isso tudo pode soar tão sem graça quanto um jogo de bocha. Entretanto, me comove profundamente. São sensações que eu não tenho com o que comparar. Não sei descrever o sentimento. Só sei sentí-lo.

quarta-feira, 21 de março de 2012

100% libriana, mano! (soquinho no peito e V)

Dias atrás umas amigas e eu conversávamos sobre horóscopo. É massa demais! Eu não sei se realmente somos como ele diz que somos, ou se nos moldamos dentro dele ressaltando as qualidades e os defeitos que diz que temos. Só sei que acho fantástico!

Daí falamos dos ascendentes. E percebi que nunca tinha feito a pesquisa de qual era o meu ascendente. Pirem: sou Libra com ascendente em... Libra! 100% libriana! Vou fazer uma camiseta com esses dizeres. Eu sou tipo um puro-sangue. As minhas características librianas não foram maculadas por nenhum dos outros onze signos do zodíaco. Nada desse negócio de ficar misturando signos, não! Aqui tem pedigree, cara!

Essa pobre libriana que vos fala não consegue se decidir. É indecisa até na hora de colocar comida no prato. Acho que deveríamos ter vários personal: personal trainer, personal stylist, personal dieter, personal drinker, personal friender, personal dater... Aí sim a vida seria menos complicada para mim. Eu teria assessores que me ajudariam nas questões de impasse. Nesse momento, estaria livre para desempenhar minha segunda maior vocação: ser justa. Ah, a justiça... Dê a César o que é de César - só não esqueça de cobrar os impostos.

Quando o horóscopo diz que librianos são pessoas de bom gosto e românticas, eu fico com a pulga atrás da orelha e rio uma gargalhada debochada. Eu, uma libriana legítima, não me considero uma pessoa de bom gosto (em vários sentidos, até mesmo nesse que você pensou) e muito menos romântica. Não mesmo!

terça-feira, 13 de março de 2012

Cada um cuida da sua

Eu já trabalhei com cobrança no banco e sei que cobrar é chato. Entretanto, para quem está do outro lado é muito pior. O fato é que somos cobrados o tempo todo. Pela família, pelos amigos, pelo trabalho, pela sociedade, por si mesmo...

A sociedade tem poder de exercer uma pressão velada nas pessoas, que se o neguim não for muito confiante em si, ele surta. Por exemplo, quando somos crianças todos nos perguntam o que vamos ser quando crescer. Por que a criança deve ter noção de algo que ainda está tão distante dela? É exigir muito querer que ela te responda qual será a profissão dela dali a vinte anos. E, se porventura, ao longo desse período a criança mudar de ideia, não faltarão pessoas para dizer "ué, mas você não disse que queria ser médico?" Disse, caramba! Há quinze anos atrás! Não tenho o direito de mudar de opinião?

Daí, quando alguém está namorando, logo começam a perguntar quando será o casório. Ô perguntinha chata! Então, quando finalmente se casam, cedendo às pressões do parceiro, da família, da sociedade... vem novamente a maratona de perguntas "e aí? Pra quando são os filhos?". E depois que tem-se o primeiro, "quando é que vem o próximo?". Se a mulher reclama do marido: "ah, larga dele, boba! Você vai ficar muito melhor sozinha." Se o homem reclama do chefe: "rapaz, você precisa arrumar outro emprego!" Enfim, todos temos um dom nato para administrar a vida alheia.

Na verdade, a tendência é sempre ter objetivos. Nunca estamos felizes com apenas aquilo que temos. Se você tem um emprego, você deve ter outro melhor. Se você mora em uma casa, você deve ter outra maior. Se você tem um carro, certamente você deverá querer um mais novo. Se você tem um corpo assim, ele pode ser melhorado. As pessoas que estão de fora da nossa vida não compreendem quando nós não temos anseios. Elas exigem que os tenhamos. Basta uma mulher dizer que não quer ter filhos, por exemplo. Todo mundo arregala o olho. Se ela diz que não quer se casar, então... já era! é a mais nova sapata do pedaço! E sabemos que não é assim. Todos têm direitos a opções, agora, arcar com elas diante da pressão social é que são elas! Experimente dizer ao seu chefe que você não quer subir na empresa. Ele franzirá a testa, pois é inconcebível alguém que não queira "evoluir". Simplesmente, não é fácil aceitar que a pessoa está bem do jeito que está. Não. Temos de tomar decisões rápidas, acertadas e promissoras... Ô vida, viu?!

domingo, 11 de março de 2012

Menina-fel

Um dos meus grandes defeitos é ser uma pessoa muito fechada. Quem me conhece pode até rir disso, porque depois que tenho intimidade sou muito expansiva, mas até conquistá-la... sou séria e sem graça. Já tentei ser um pouco mais agradável, doce e meiga até, assim... para não transmitir uma impressão tão ruim para as pessoas à primeira vista, mas não consigo! Não vejo motivos para ser extasiante com um desconhecido. Não tenho motivação para sorrir para quem não conheço. É por esse mesmo motivo que não adiciono todo mundo que eu conheço no facebook e não tenho amigos a rodo. Prefiro ter poucos amigos e terem certeza que são de confiança. Deve ser por isso que também não namoro muito. Não vejo sentido em ficar experimentando um e outro como se faz numa loja de sapatos. Aliás, nem sapatos eu experimento muito. Acho que tudo isso que escrevi acima tem a ver com concisão e restrição. É isso! Eu sou uma pessoa concisa e restrita. Sem muito trê-lê-lê, plumas, paetês ou caixinha de fósforo.

Isso, às vezes para algumas pessoas, pode se misturar um pouco com amargura. E, definitivamente, eu não sou uma pessoa amargurada. Sou frustrada com algumas coisas. Já vivenciei (e vivencio até hoje) muitas decepções, mas como diz o ditado "o que não mata, me torna mais forte". Digo com toda certeza isso porque hoje conheci uma pessoa amarga. Tive um contato curto, mas o que pude perceber foi uma energia tão negativa, que me fez acreditar que todo ser vivente está fadado à infelicidade, assim como ela (cacofonia - por favor não leia essa expressão em voz alta). Nas suas palavras foram emitidos tantos sentimentos de desapontamentos com a vida, que por alguns segundos também acreditei que a minha era uma merda. Procuro manter meu copo no mínimo com 51% de líquido, às vezes cai pra 49,5 porque não sou de ferro. Invejo as pessoas cujos copos estão sempre transbordando. Encaram a vida com tanta disposição e entusiasmo que contagiam a todos. Gosto dessa gente e gostaria muito de aprender com eles. E vou aprender. Agora, a pessoa que conheci hoje me fez lembrar quando matávamos frango lá na roça no interior de Barbacena, como dizia o poeta. Quando estávamos retirando as vísceras da galinha, tínhamos de ter muito cuidado para não furar ou cortar o fel. Uma vez que essa pequena bolsinha de líquido bem verde fosse perfurada sobre o frango, parte alguma dele serviria para o consumo. O fel tem um gosto tão insuportável que tudo que entra em contato com ele perde de uma vez por todas a serventia.

Arruda, por favor!

quinta-feira, 8 de março de 2012

Vem pra Caixa, vem!

Esse texto é para ajudar (ou não) quem está em dúvida se deve fazer o concurso para a CEF. Muitos amigos me questionam se é uma boa e eu sempre respondo “É um excelente começo.” Estou na Caixa há seis anos e graças a ela (e ao meu esforço, obviamente) consegui me estabilizar financeiramente e hoje não dependo mais dos meus pais.

Vou começar a falar das qualidades que a empresa nos oferece. É uma empresa ótima (sem rasgação de seda, tá?). Tem muitos programas que acho que não encontramos em qualquer outro lugar. Primeiramente trata-se de uma empresa cem por cento pública, ou seja, não tem capital privado nela pra dar pitaco nas decisões. O Banco do Brasil e a Petrobrás são empresas de economia mista, por exemplo, e algumas decisões têm de passar pelo crivo dos acionistas também. Apesar de ela ser uma empresa pública, nós não somos servidores e, sim, empregados. Ou seja, somos regidos pela CLT, temos FGTS e não gozamos de estabilidade (apesar que não há notícias de ninguém que tenha sido mandado embora nos últimos tempos). O período probatório é de três meses.

Na Caixa tem programa pra tudo! Pró-equidade de gênero, Libras, orientação de adolescente aprendiz, CIPA, coleta seletiva, incentivo à graduação e pós-graduação, e outras coisas que não me recordo no momento. Outra coisa muito legal também, para quem gosta de esporte são as Olimpíadas da Caixa que acontecem a cada dois anos, onde atletas do país todo se reúnem em um Estado para disputarem os jogos. E no ano que não há o evento nacional há o regional, portanto, para os atletas, todo ano tem competição. Nós temos a APCEF, que é nossa associação de pessoal, que conta hoje com um clube, duas sedes campestres (Trindade e Aruanã) e uns apartamentos em Caldas Novas.

Nós também temos uma Universidade Corporativa para quem quer estudar, se projetar na empresa e fazer os processos seletivos para novas funções. Temos uma biblioteca que fica em Brasília e nos empresta livros que são enviados via malote. Temos uma revista sobre os empregados chamada Gente da Caixa. Além do mais, os economiários (termo que designa os bancários da Caixa, mas está em desuso) são muito amistosos entre si. Qualquer lugar do país que você estiver e precisar de um colega certamente ele estará pronto para te ajudar, a menos que ele seja muito filho-da-puta. Contudo, na maioria dos casos há solidariedade entre nós.

E agora vamos aos números. Caso passe e seja convocado, você vai começar recebendo R$ 1744,00, mais um vale-alimentação de R$ 700,00. Para quem tem filhos até sete anos, recebe R$ 250,00 por cabeça. No final do ano tem participação no lucro da empresa e décimo terceiro. Isso fora as horas extras pagas rigorosamente porque o ponto é eletrônico. O plano de saúde é muito bom, desconta-se 2% do salário por mês e paga-se apenas 20% do valor do procedimento realizado no mês, debitado em folha também. A previdência complementar que é o barato da coisa! A cada R$ 1,00 que eu contribuo, a Caixa contribui com mais um! Alguém já viu algo semelhante em outro lugar?

Enfim, a empresa é mesmo muito bacana! A única ressalva que eu tenho a fazer é que, se caso você não gostar de serviços bancários, fique ali apenas por um tempo, até passar em algum concurso que você goste de trabalhar de fato. Eu, por exemplo, não gosto da área financeira. Graduei-me em Jornalismo e agora vejo que deveria ter feito Direito. Mas o que me fascina mesmo são as artes. Entretanto o velho banqueiro vai pagando minhas contas, enquanto eu flerto com o moço interessante das leis e sonho com o bonitão das artes.