sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Feliz 2012, Natalia

Sou fã da Natalia Klein. Ela tem um blog e um programa no Multishow e interpreta a Nikita de Macho Man. O trabalho dela me fascina muito. Acho de uma inteligência tremenda e um bom gosto incomum aos meios de comunicação em massa de hoje em dia. A propósito, ela se espelha muito na década de 40, talvez seja esse o pulo do gato, sei lá...

Mas o que me motivou a escrever sobre ela foi uma dessas reflexões introspectivas de final de ano. Ela fez um post que dizia o quanto não se sentia a vontade para escrever no próprio blog, diante das pressões dos leitores para que ela o fizesse. E sabe o que me impressionou mais? Os inúmeros comentários dizendo a ela para fazer o que achar melhor. Que ela deve fazer o que quiser fazer. Que não precisa ceder às pressões de ninguém. (Embora a maioria dissesse "Se quiser parar de escrever, pare. Mas sentiremos muito sua falta" - isso é uma pressão disfarçada!)

Nunca, absolutamente nunca, fazemos aquilo que queremos sem ter de arcar com a tal da opinião alheia. É o preço para ser visto, ouvido, reconhecido. Seja uma coisa boa, seja uma coisa ruim. Somos o tempo todo notados, anotados, rotulados... E é difícil, arrisco até dizer impossível, fazer o que se quer fazer de fato. Se você for uma pessoa que pensa em consequencias, é claro. A Natalia queria um espaço para exteriorizar suas experiências. Exterioriozou, criou empatia em outras pessoas e agora é devorada por aquilo que criou. Bom ou ruim? Não sei...

Talvez os inconsequentes sejam mais plenos nas suas realizações do que nós, pobres seres preocupados demais com a vida. Planejamento. Planejamento é a ordem. E a tomada de decisões o algoz. Amarelo ou vermelho para o revellon? Ah, devo ir de amarelo porque preciso de mais dinheiro. Se bem, de que me adianta dinheiro se não tenho uma grande paixão? Então vou de vermelho. Mas vou viver de amor em uma cabana?! Não rola! Calça vermelha e blusa amarela? Humm... Não fica legal... O que vão pensar de mim? Já sei! Vou de verde, porque aí tenho a esperança de conseguir amor e dinheiro. Mas a vida não é feita só de esperança, preciso de algo mais concreto. Ah, vou de branco mesmo que não tem erro. Todo mundo vai tá de branco. Daí, ao chegar, tem um adorável inconsequente sem camisa, andando com a bandeira de pernambuco amarrada na cintura. Toma pobre ser preocupado demais com a vida!! Toma!!

domingo, 25 de dezembro de 2011

Natal é Natal, pô!

A pessoa que diz não gostar do Natal é logo esteriotipado.
-Nossa! Mas porque você não gosta do Natal?? Você deve ser uma pessoa muito amarga e mal amada, porque, afinal, é um tempo de confraternizações, de união familiar, de celebrar o nascimento de Cristo, e blá-blá-blá.

Não gostar do Natal é tão natural quanto não gostar de fazer aniversários, ou não gostar de assistir ao desfile de 7 de setembro, ou não pular carnaval. Infelizmente o comércio desvirtuou tudo. Hoje em dia, Natal é sinônimo de gastos. Ninguém passa ileso pelo Natal, por mais no vermelho que esteja. Se a coisa tivesse se mantido só no campo religioso seria mais legal, sabe? Sem essa parada de festança exagerada, presente pra todo mundo, Feliz Natal e Próspero Ano Novo pra cá, Feliz Natal e Próspero Ano Novo pra lá...

A propósito, quando me sentei aqui ia escrever justamente sobre essas felicitações de final de ano. Eu acho estranho aproveitarmos o Natal para já desejar um Feliz Ano Novo. Pô! Natal é Natal, Ano Novo é Ano Novo! São duas datas distintas! Tá certo que separadas por um semana, mas são datas distintas. E hoje em dia, com essa facilidade para trocar mensagens, seja de celular ou na internet, o que custa mandar uma mensagem para o Natal e outra para o Ano Novo? Antigamente, até se justificava, porque as mensagens eram enviadas em lindos cartões postais, que iam pelo correio e chegavam normalmente antes do Natal. Aí, sim eu calo a minha boca! Um pau matando duas cobras. Mas sinceramente não entendo porque hoje ainda desejam Feliz Natal e Próspero Ano Novo numa mensagem só! Pra mim soa como se a pessoa não quisesse falar comigo na semana que vem.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Diálogos possíveis com um bruxo

-Nossa! Esse seu brinco...
-Quê que tem meu brinco?
-Ele parece um símbolo da bruxaria...
-Hummm... (desdém)
-Você não é bruxa, não, né?
-Eu não. (naturalmente)
(Seguem-se alguns segundos de silêncio. Ao ver que não estou empolgada com a conversa, retorna.)
-É que eu sou bruxo, sabe?
-Ah, é? (continuo o desdém)
-Sou sim! Estudo bruxaria há três anos!
-Bacana! Nunca conheci um bruxo... Preciso ir. Até mais!


-Nossa! Esse seu brinco...
-Bonito, né? Comprei numa feirinha lá perto de casa.
-Não é isso. Ele parece um símbolo de bruxaria.
-É mesmo?!
-Você não é bruxa, não, né?
-Ai, não! Credo! Deus me livre! Morro de medo de bruxa e de fantasma!
-Ah, mas você não precisa ter medo de bruxos. Eu mesmo sou um.
-Jesus amado! Sai de perto de mim! Vade retro! Vou nessa! Fui!


-Nossa! Esse seu brinco...
-Gostou? É um símbolo da seita que eu sigo.
-Ah, é? E qual a sua seita?
-Pikka.
-Puxa vida! Que mundo pequeno! Eu também sou bruxo da Pikka!
-Ah, sim! A população de bruxos cresce mais a cada dia, graças ao Harry Potter, que difundiu o nosso trabalho pelo mundo.
-Pois é...
-Pois é...
-Então tá, então... A gente se vê por aí!
-A gente se vê...


-Nossa! Esse seu brinco...
-Quê que tem meu brinco?
-Parece de um símbolo da bruxaria...
-Tá me chamando de bruxa, é? Mais respeito comigo, rapazinho! Não é porque eu tô assim meio feinha, mal arrumada, com essa verruga no nariz e essa vassoura aqui do meu lado que eu sou bruxa, não, viu!?
-Desculpa, moça... Eu não perguntei por mal... É que como eu estudo bruxaria... Pensei, talvez...
-Pois pensou errado! Bruxa é sua avó! Ora essa... É cada uma, viu?
(montou na vassoura e se foi)


P.S.: A primeira situação aconteceu comigo realmente.


quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Tempos difíceis

Amigos, perdoe-me a ausência. Não sei o que tem acontecido comigo ultimamente, mas ando com um estranho desejo de evasão. Vontade de sumir, sabe como é? Afinal, quem nunca sentiu isso? Seja naquela festinha que você pagou o "mó mico", ou quando seu chefe te deu um fodeback daqueles, ou quando o carinha que você estava afim passou na sua frente com outra, ou quando se saiu mal na prova que você falou pra todo mundo que tinha arrasado, ou quando bateu o carro por uma falha sua. Tudo isso é motivo para (por alguns instantes) assumir uma forma gasosa e se esvair no ar. Puf! Ou poderia ser de outro modo também! E se, de repente, quando sua mãe começasse a falar sem parar e você não estivesse disposto a ouvir, suas orelhas fossem se fechando e o buraco do seu ouvido diminuindo, diminuindo, diminuindo... até estar completamente surdo e incapaz de ler lábios. Evasão! Se o seu instinto, ao perceber que você veria algo que te deixaria extremamente abalado te cegasse por instantes, impedindo de uma forma absoluta que se deparasse com aquilo que não estava apto a ver. Evasivamente fantástico! E, melhor ainda, se estivesse indo a algum lugar que pudesse te trazer dissabores, abriria um enorme buraco no chão e você seria abduzido para outra dimensão até que aquela circunstância passasse e, então, seria devolvido à sua realidade feliz por meio de um portal mágico. Saída pela tangente!

Contudo, todavia, entretanto não adianta querer fugir dos problemas. Não adianta querer desejar apenas um mundo perfeito cheio de unicórnios rosas, arco-íris, coelhinhos saltitantes e pessoas felizes. A realidade é dura e é ela que nos torna pessoas melhores.

Essa semana eu li um texto que dizia que ao nos deparamos com um ponto preto numa folha em branco, tendemos sempre a dar importância ao ponto preto, em vez de contemplar a enorme folha em branco. Ou seja, temos tantas coisas boas na vida, para que nos atermos aos problemas, não é mesmo?

Mas que dá vontade de fugir de vez em quando, ah, isso dá!!!

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Amélia e outras mulheres

Eu tenho pensamento musical.
Ah, você não sabe o que é um pensamento musical??!!
É quando associamos música a tudo que vemos, sentimos ou ouvimos. E olha que isso é muito, mas muuuito frequente em mim. Poderia exemplificar cantarolando/escrevendo aqui por linhas e linhas a fio. Entretanto vou me ater aos meus preciosos clientes - novamente.
Semana passada eu atendi à senhora Jardimira. Mal terminei de ler o nome da pobrezinha na identidade e comecei a cantarolar em pensamento: "Ó jardineira por que está tão triste? Mas o que foi que aconteceu?". Não sei porque isso acontece... Simplesmente flui... A dona Antonieta é outra prova dessa minha sandice: "Tieta do agreste, lua cheia de tesão, é lua, estrela, nuvem carregada de paixão... Tieta! Tieta!" E sigo assim cantando todas as mulheres que me aparecem: Julieta, tá, tá, tá me chamando; minha pequena Eva; a Conceição, eu me lembro muito bem; Renata, ingrata; Carolina, uma menina tão difícil de esquecer; a Marina, morena; pra no frigir dos ovos só a Amélia ser mulher de verdade.

A Amélia merece um parágrafo só para ela. Afinal, ela não é a mulher de verdade? A queridinha dos homens? Que achava bonito e natural não ter nem o que comer? Conformada e submissa. É assim que eu vejo a Amélia! Consigo vê-la sentada na cadeira da cozinha, remendando os buracos da meia do marido, iluminada com uma candeia de óleo de mamona num prato de esmalte sobre a mesa. E o marido, onde está? No bar, apostando que a sorte no baralho trará comida para dentro de casa. E Amélia lá, a esperá-lo para lavar seus pés com água morna antes de deitar. Não precisa me dizer que a música é uma metáfora, que o que o compositor quis dizer apenas é que as mulheres de hoje em dia são interesseiras e que já não se fazem mais companheiras como antigamente. Eu sei disso! Mas mesmo assim, ninguém tira de mim a indignação ao ouvir essa música.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Deus, você ainda me ouve?

Sei que o Senhor e Papai Noel são as mesmas pessoas, então vou falar logo, sem rodeios. Não fui uma boa menina esse ano. Não fiz caridade, não tratei meus pais tão bem quanto deveria, não fui muito amável com as pessoas (até magoei algumas!), não comecei a fazer exercícios, não tive aquela promoção no trabalho, enfim, não me tornei uma pessoa melhor - como, aliás, venho me prometendo que serei ano após ano. Permaneci medíocre e sem sentido, meio vazia até. Não realizei nenhum grande feito, muito pelo contrário. Portanto, reconheço que estou em débito com Vossa Excelência (esses pronomes de tratamento me matam! Devo chamá-Lo como? Porque afinal eu Lhe devo respeito, mas por outro lado somos tão "chegados" que nem nos cabe tanta formalidade, né?). Daí, pra compensar, eu num vou pedir presente de Natal esse ano, não. Já ficarei feliz se souber que apesar de todos os pesares, ainda me ouve, torce e acredita em mim.

Diz que sim, vai!

Mas se quiser me dar um bônus, diz aí seis números entre 0 e 60.