sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Lição de economia

Todos falam mal da pirataria, que é um mercado ilegal, que não paga impostos e tudo o mais. Metade de mim concorda plenamente. Se eu pago, porque eles não deveriam pagar? Eu mesmo me respondo: para nos proporcionar coisas com qualidade inferior a um preço menor. E sabe o que a minha outra metade acha disso? Ela a-do-ra!

Comprei uma sandália de R$ 70,00 hoje. Se tivesse ido à feira teria comprado com esse dinheiro, nada mais, nada menos, que sete pares! Pense em termos quantitativos: em vez de usar a mesma sandália todo dia, eu poderia usar cada uma das sete em dias diferentes, uma por dia da semana! Tá certo que a durabilidade dela não é a mesma da que eu comprei na loja, mas e daí? Sei que é um pensamento egoísta e não estou pensando em todas as ilegalidades que foram feitas para que esses sete pares chegassem aos meus pés, contudo, me permita ser politicamente incorreta às vezes e assumir isso. Prefiro ser uma hipócrita assumida a ser uma anônima. Na verdade, eu preferiria não ser hipócrita... entretanto, tenho concluído que não há muitas pessoas assim por aí.


quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Ladies and gentlemen

Finalizando o atendimento:
-Posso ajudar em algo mais, senhora?
-Pode. Não me chama de senhora, não. Nem sou tão velha assim...
Respondo no meu íntimo:
"A senhora que pensa, senhora..."
-Tá bom. Se isso a faz se sentir melhor...

Será que as pessoas se baseiam em quê para não gostarem de ser chamadas de senhoras e senhores? Senhor, no meu caso de atendente, significa respeito por ele ser meu cliente e não pela idade. Tanto que chamo até moleque de senhor.

(...)

Depois de olhar a identidade dela e constatar que nascera no mesmo dia, mês e ano que eu, pergunto:
-Você acha que é mais jovem ou mais velha que eu?
Pensou um pouco, gaguejou e por fim respondeu que ela era mais velha.
Obviamente falou isso por educação, porque ela me achou mais velha e "acabada" que ela, entretanto não teve coragem de assumir. Digo isso porque eu também pensei o mesmo dela! É difícil se dar conta e assumir que estamos envelhecendo. Quase pedimos, imploramos para que alguém nos rejuvenesça em alguns aninhos. Aquele tão bem quisto "Puxa! Você tem isso tudo? Não parece!" é muito mais bem vindo do que o "Só isso!? É novinha demais!" Como assim? Então eu pareço ter mais que isso? Estou velha e acabada e pareço um maracujá enrugado? Pois saiba que você também não tá lá essas coisas não, viu? Custa ser educado? Custa ficar calado, então? Por mais que digamos não nos importar com aparência, depois dos vinte e cinco os anos costumam incomodar um pouco. E o incômodo cresce em progressão geométrica!

Baseada nisso eu decidi que a partir de amanhã tratarei todo mundo por moça e moço. Pode chegar uma senhora de oitenta anos no meu guichê que eu direi:
-Bom dia, moça! Tudo bem com você? Só de boa? Quê que cê manda, linda?

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Meu filho precisa de um irmão

Cheguei a essa conclusão depois de vê-lo conversando com a tevê. A princípio é engraçado. O desenho pergunta, ele responde. Diz algo engraçado, ele repete. Ri das piadas dos personagens e dança quando toca música. Portanto, a interatividade é total. Só que eu sou filha única e sei que não é legal ser amiguinha da televisão. Amiguinhos de verdade são muito mais interessantes. Dá pra bater neles, morder, chutar, empurrar e tudo mais que não se faz com uma tevê de dois mil reais. Sem falar no relacionamento. Conviver com um aparelho desses é anos-luz mais simples do que com pessoas de carne e osso. Quando eu me canso, a desligo e vou pro quarto. E ela fica lá, fixada na sala até que eu a queira novamente. Quando o marido se cansa da esposa e vai para o quarto ela vai atrás e continua falando.

Quando digo que o Pedro precisa de um irmão, não precisa ser necessariamente isso. Uma vez que ainda não me sinto preparada para uma nova maternidade. Mas ele precisa interagir com outras crianças e até mesmo outros adultos, porque agora que ele aprendeu a falar (e não para por nada nesse mundo) é cada vez mais latente a necessidade de conhecer o mundo. Eu sei que é importante que ele o conheça sob diversas óticas, para não ser um menino egocêntrico quando crescer.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Se assuma, rapá!!!

Os anônimos me comovem. O que se passa quando alguém quer dizer algo, mas não assume aquilo que diz? É como se jogasse palavras para o alto e dissesse: olhe, a verdade está aí, mas não fui eu quem a criei. Em alguns casos, pode parecer covardia, entretanto posso interpretar como insegurança. Medo de assumir o que é e o que pensa. Não serei hipócrita a ponto de dizer que nunca fiz isso. Já fiz. Mas não faço mais. Ao longo desses vinte e seis anos tenho aprendido cada dia mais que existir é uma dádiva e devemos fazer jus a isso. Se você é um anônimo, que passa atônito pela vida e não faz questão de vivê-la... so sorry... quem sabe na próxima.

domingo, 13 de novembro de 2011

Paz

Estou vendo a cobertura jornalística da operação de pacificação da Rocinha.

Se funcionasse comigo, eu usaria da força pra trazer paz ao meu coração também.


Mas não é assim...









sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Fim do mundo

Há quatro dias que não posto nada. Por quê? Por quê? Pooor quêêêê? Tava guardando a inspiração pra escrever hoje: 11 do 11 do 11. E ainda o publicarei às 11h11, mesmo porque agora já são 0h12... Mas, convenhamos, o que tem demais nessa data além de ela ser esteticamente bonita? Parece uma cerquinha: oito pauzinhos paralelos na vertical. Na verdade, eu vejo a data de hoje como algo extremamente pornográfico e homossexual. Quem conhece a piada sabe do que estou falando... 11|11|11

Não adiantou nada guardar inspiração. Não tenho nada a dizer sobre esse dia, exceto que está todo mundo comentando sobre ele... dizendo que é uma data cabalística e tal... mas... e daí? O mundo vai acabar? Claro que não! Se o mundo fosse acabar isso não aconteceria numa sexta-feira, obviamente. E sim, numa segunda-feira, que já tem cara de final dos tempos mesmo. Deus não iria nos proporcionar um infortúnio tão grande de trabalhar uma semana toda, para no final das contas explodir/inundar/saculejar tudo. Teríamos ao menos de ter o prazo pra tomar uma cervejinha no happy hour da esquina, mandar o chefe tomar naquele lugar, contar para o marido que o filho é de outro cara, dizer pro amigo que comeria a mulher dele, essas coisas que só se diz se tivermos certeza que o mundo vai acabar.


segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Olimpíadas: Campeonato de Desculpa Fiada

A Lei é clara:

LEI No 10.048, DE 8 DE NOVEMBRO DE 2000. Art. 1o As pessoas portadoras de deficiência, os idosos com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos, as gestantes, as lactantes e as pessoas acompanhadas por crianças de colo terão atendimento prioritário, nos termos desta Lei. (Redação dada pela Lei 10.741, de 2003)

Trabalho no guichê preferencial e, às vezes, vejo coisas que me arrepiam os pelos do corpo. As pessoas dão as desculpas mais esfarrapadas possíveis para tentar burlar a legislação. O texto acima é claro e conciso o bastante, mas mesmo assim alguns tentam se enquadrar quando se trata de benefício próprio.

Aparecem pessoas com crianças enooormes no braço, que uma vez no momento do atendimento são colocadas no chão. Para essas pessoas eu digo apenas que o atendimento preferencial é destinado a pessoas com criança DE colo, e não, crianças NO colo. Outras chegam com a criança no caixa e quando começam a ser atendidas passam-na para outra pessoa que a leva para fora da agência. Há mulheres que quando perguntadas se estão gestantes respondem que estão... há um mês. Pessoas na casa dos cinquenta anos, que para tirar proveito se permitem passar por mais velhos numa boa.

Entretanto, o que me mata de desgosto são aquelas que alegam problemas de coluna, renais, cardíacos, ou dizem que têm câncer, fizeram cirurgia ou hemodiálise. Gente isso não é motivo pra atendimento preferencial! Não me interpretem mal, por favor. Não é que eu não tenha compaixão das pessoas enfermas e não me compadeça com a situação delas. Simplesmente, acredito que se o atendimento preferencial pudesse ser extendido a todos esses casos a legislação já o teria feito. Nesse caso, abriríamos a chancela para todos que sofrem de alguma enfermidade: hipertensos, diabéticos, cardíacos, impotentes... Imagine só a cena:
-Bom dia!
-Bom dia! No que posso ajudá-lo?
-Vim descontar esse cheque.
-E porque o senhor está no atendimento preferencial?
-Ah, é que eu sou impotente. E não posso ficar na fila muito tempo porque fico ansioso e isso aumenta a minha impotência.
-Então tá certo. Cadê o cheque?

sábado, 5 de novembro de 2011

Biotônico Fontoura

A despeito do post anterior senti a necessidade de responder a dois comentários. Primeiramente, o Biotônico era o inverso do Emulsão Scott. Enquanto este tem um desprezível gosto de óleo de fígado de bacalhau, aquele tinha gosto de pinga. Sim, o Biotônico, assim como o Sadol, era para nós crianças, o que a cachaça era para o Mussum, ou seja, o "mé"! Era uma delícia! Aquele gostinho que ficava na boca... hummm... não tava nem aí se tava tomando ferro (não literalmente, pelo amor de Deus!), eu queria era beber. Tomava uma colher de sopa antes das refeições e, às vezes, uma gole escondido. O segundo comentário versa a respeito de fazerem um Biotônico Ice. Até imaginei... Jesus! Com duas pedrinhas de gelo e umas folhinhas de hortelã... a deficiência de ferro já era!

Mas o assunto Biotônico me faz lembrar de uma parte trash da minha infância. Aos dez anos eu tive reumatismo no sangue. Tomava várias Benzetacis por mês - e quem já tomou sabe que não há injeção pior no mundo. Até aí tudo bem. A merda voou no ventilador quando um infeliz-filho-de-uma-puta-desgraçado ensinou para a minha mãe uma garrafada que era tiro e queda para curar reumatismo no sangue. Eu não culpo a minha mãe por ter acreditado nesse energúmeno, pois quem está com uma filha doente se sujeita a qualquer tratamento que possa curá-la. Portanto, anotem aí a receitinha: vinho branco, pacová, sassafrás, chapéu-de-couro, osso de capivara e rabo de tatu canastra. Os três primeiros são plantinhas. Be-le-za. Agora, onde diabos arrumaríamos um osso de capivara? E um rabo de tatu? Tatu este que não poderia ser de qualquer espécie, tinha de ser canastra (o maior e mais raro).

Como eu orava para ela nunca encontrar aqueles dois ingredientes! Osso de capivara torrado e moído (ou ralado, sei lá!) e rabo de um tatu, que não poderia ser qualquer espécie de tatu, tinha de ser o canastra. Ca-nas-tra. E todo mundo se solidarizava e tentava encontrar os tais ingredientes da poção mágica. Eu tinha vontade de falar pra minha mãe me dar só o vinho Moscatel e pronto, deixasse esses bichinhos e essas plantinhas pra lá. Afinal, nada melhor que beber pra esquecer os problemas (é o que dizem...).

No final das contas, ela encontrou tudo, eu tomei a garrafada toda, meu reumatismo sumiu e tudo voltou ao normal. Exceto pelo fato de que algumas pessoas se orgulham de já ter comido carne de capivara e tatu, eu me orgulho de já ter bebido o rabo e até os ossos.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Emulsão Scott

-Bom dia. Pega esse remédio aqui pra mim, por favor.
-Ah, sim! Pois não.
-Quanto é?
-Trinta reais.
-Beleza.
-Mais alguma coisa, senhora?
-Humm... Pega um Emulsão Scott daquele ali, por favor.
-O de morango ou o tradicional?
-Ah, me dá o de morango, porque eu tomava o tradicional quando era criança e era muito ruim.
-Ah, não... O tradicional é "pôdi".

Agradeci à moça e saí dando gargalhadas introspectivas. Meu Deus! Há quanto tempo eu não ouvia alguém falar "pôdi"! Pôdi de rico, pôdi de pobre, dente pôdi,... Recordar é viver. Além do mais, pensei comigo, só no Brasil mesmo uma atendente de farmácia emite uma opinião dessas tão naturalmente para um cliente. Fiquei me perguntando se na Suiça ou no Japão alguém faria algo semelhante. É o mesmo que entrarmos numa loja para experimentar uma roupa e a vendedora falar:
-Vixe, mas tu tá gorda, hein?! Tem de fazer uma dieta antes de querer entrar nessa roupa, moça!


terça-feira, 1 de novembro de 2011

Atividade física o #@*%$¢!!!

A Lorota da Rosa é uma espécie de terapia para mim. E na terapia temos de fazer coisas para surtirem efeitos. As férias serviram para eu ver os efeitos do blog em mim. Tinha dias que me dava uma saudaaade, daí eu vinha aqui, olhava as estatísticas e via que havia gente visitando a minha página. Amigos, fãs ao contrário e curiosos atraídos pelas mágicas palavras da busca do Google. Santo Google! Que conduz fiéis em potenciais aos blogs de todo o país.

Tentei substituir o blog por um hobby mais dinâmico, que em vez de ficar sentada na cama eu pudesse me exercitar um pouco, mais foi em vão. Peixes nasceram para nadar, aves nasceram para voar... e eu, definitivamente, não nasci para exercícios físicos. Confesso que fico muito envergonhada quando vou ao médico e ele pergunta: faz alguma atividade física? Respondo cabisbaixa, como uma criança que acabou de fazer uma peraltice, que não faço nada. E assim respondo para o fisioterapeuta, pra nutricionista, pro psicólogo, pro dentista, pra todo mundo! Por que raios todo mundo quer saber se faço atividade física??!! Ninguém quer saber se sei tocar violão, ou se equilibro uma vassoura no pé que nem o Chaves, mas a tal da atividade física todo mundo pergunta! Sim! Estou estressada com essa pergunta! Me incomoda profundamente! Alguém se preocupa com o hábito da leitura, por exemplo? Não! Por isso que a educação não vai pra frente nessse país! As pessoas são treinadas a terem condicionamento físico para trabalharem mais e por mais tempo, enquanto que a parte intelectual se definha. Por isso, o meu blog é um movimento de resistência anti-exercício! É isso aí! Todo mundo comigo nessa campanha! Abaixo a câmara de tortura, viva a leitura! Abaixo a academia de ginástica! Viva a Academia de Letras!