terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Kolynos

Educar filhos é difícil, muito difícil mesmo! Parece que as chances de errar são maiores do que as de acertar. Se somos muito rigorosas o filho pode se revoltar quando crescer, se somos muito "relaxadas" deturpamos a moral dele. Dosar na criação dos filhos é uma das partes mais difíceis da maternidade, principalmente para as mães solteiras. Para as pessoas que estão de fora, ou seja, não comem o feijão feito na minha panela, é tudo mais simples. Nos dizer o que temos (ou não) de fazer é algo facílimo. Vai carregar nove meses, parir e criar pra ver! Vai!

Dona Maria semana passada me disse que não devo deixar o Pedro assistir aos desenhos da Disney, porque o pastor da igreja dela falou que é o inferno entrando pela televisão na vida dos nossos filhos. Ah, faça-me o favor! Inferno! Inferno! Quer inferno maior do que você não poder ser dono da sua própria vida? Inferno é viver sob o domínio alheio. Pra que se preocupar com a vida após a morte, se não se pode viver a própria vida antes dela?

-Olha, Dona Maria, tenho profundo respeito pelas opiniões alheias, mas essa do seu pastor eu acho que não tem nada a ver. Cresci assistindo aos desenhos da Disney e nem por isso me tornei uma pessoa ruim. Pelo contrário, acredito que os desenhos do Donald e do Pateta, bem como Pica Pau, Faísca e Fumaça e Popeye, são muito melhores para o meu filho do que esses desenhos que andam sendo feitos e exibidos hoje em dia.

Lembrei de escrever sobre isso hoje porque agora há pouco vi meu filho pegando uma dedada de creme dental e colocando na boca só para sentir o hálito refrescante. Lembrei na hora de quando eu era pequena e que minhas primas e eu pegávamos o Kolynos sem que ninguém notasse só para dar umas boas dedadas e levá-las à boca. Eu sei que comer creme dental é menos salutar do que comer aveia ou linhaça, mas e daí? Toda criança faz isso! E é imprescindível que elas façam mesmo, porque é assim que se constrói uma pessoa de verdade. Com muita lama, banho de chuva, rapa de panela e tudo o mais.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Velha infância

Neste feriado estive na minha cidade natal. Visitei os parentes e me deparei com uma dura (mas muito dura mesmo!) realidade: estou envelhecendo.

Passar pelas ruas onde cresci, os lugares onde frequentei, rever as pessoas com quem convivi, tudo isso gera muito saudosismo e uma pitadinha de melancolia. É triste ver que as ruas por onde eu passava quando voltava da escola estão todas esburacadas (demonstrando o total descaso da administração pública com a MINHA cidade). É triste perceber que as pessoas dali estão decepcionados com os políticos, com a saúde, com o lazer... É triste saber que nada daquilo me pertence mais. Mas por outro lado, é bom também. É bom saber que todas as experiências, apesar de serem marcantes em nossas vidas, elas têm um prazo de validade. Nada dura pra sempre, a menos que seja cultivado. E eu deixei que as ervas daninhas do meu coração tomassem conta do sentimento que eu nutria pela minha cidade.

O lado bom de entrar em contato com o passado é perceber que na maioria das vezes damos proporções maiores às coisas do que elas realmente têm. Por exemplo, o quintal da minha casa era muito maior quando eu brincava nele. O pé de manga do Seu Nestor era muito mais alto e desafiador quando fazíamos casinha na árvore. As janelas da classe onde estudei eram altas demais para que pudéssemos subir para olhar a rua... hoje, nem tanto. O namorico de ensino fundamental acabou e nem sei por onde anda meu príncipe pelo qual derramei rios e rios de lágrimas por noites e noites. Hoje meus problemas são bem maiores do que querer desmascarar a menina metida da rua. E assim é a vida.

Contudo, a trágica conclusão a que cheguei no começo desse texto, revelou-se diante dos meus olhos ao notar que meu filho brincava com os filhos das minhas primas. Não tem nada mais comovente do que ver crianças brincando de pega-pega, onde há alguns poucos anos você mesmo brincava, e, ainda pior, com os pais delas! Deus, obrigada por me proporcionar essa cena. É um ciclo lindo de se ver. E mesmo que eu eu não sinta pela minha cidade tanto carinho quanto já senti, eu sinto pelos meus familiares uma eterna gratidão pela infância feliz que tive ao lado deles.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

17/02/2007

video

Someone like you
Adele

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Partida

Hoje eu joguei fora a sua escova de dentes.
Você não vai mais voltar.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Estatística

Amigos casadoiros têm chamado minha atenção ultimamente. Com o tempo, nós, não casadoiras, vamos nos tornando um pouco deslocadas do contexto, principalmente quando temos um filho e eles (os amigos) não.

Prova disso é que comecei a fazer a lista de uma festa (não se desespere se ainda não foi convidado, seu convite certamente chegará até o final do ano). E percebi que na maioria dos meus convidados eu colocava um +1 na frente. Ou seja, quase todos já estão a beira dos 30 e quase todos estão com seus devidos parezinhos. Não, eu não estou em meio a uma crise de solteirice. Muito pelo contrário, estou bem até. Essa semana vi a Marília Gabriela sendo entrevistada pela Hebe e ela disse que não está com ninguém agora, porque namorar dá muito trabalho. E dá mesmo! Ela disse que está numa fase que quer curtir o netinho e acha muito dispendioso dividir a atenção entre um parceiro e o neto. São palavras dela! Mas a compreendo.

Enfim, mexendo aqui nos meus guardados encontrei algo que me fez lembrar novamente dessa ordem naturalmente imposta: nasce, cresce, casa, reproduz (alguns se separam após o acasalamento) e morre. Deparei-me com minhas fotografias do aniversário de 15 anos. Onze anos se passaram desde então e nesse intervalo de tempo podem acontecer muitas, tipo, muitas coisas. Fiz uma breve estatística:
37 pessoas, incluindo eu, tiraram fotografias;
12 se casaram;
9 não tenho notícias;
5 tiveram filhos e se casaram (nessa ordem mesmo);
4 casaram e tiveram filhos;
4 não casaram e não tiveram filhos;
2 se descobriram homossexuais e, portanto, não casaram e não tiveram filhos*;
1 teve filho e não casou - essa mesma que vos escreve.

Conclusão: eu faço parte de uma minoria!** Sempre desconfiei disso, mas agora está mais que constatado! Aposto também que poucas pessoas gostam de tarantella italiana ou comer banana com farinha de mandioca e Toddy. Só eu mesmo pra conseguir tanta proeza...

*Essas duas pessoas poderiam ser enquadradas no item acima delas, mas as segreguei porque, diferentemente das demais, as chances de elas se casaram e terem filhos são bem menores, eu disse bem menores, não impossíveis. Sou a favor do casamento gay e da adoção de crianças por casais homossexuais. Que fique claro isso!

**Pode ser que das 9 pessoas que não sei o paradeiro, alguma também esteja na mesma situação, daí, não serei mais minoria! A propósito, vou investigar no Facebook que fim tomaram. Me desejem sorte na pesquisa!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Coisas de mãe, parte II

Uma das vantagens de ter sido mãe é que finalmente parei de ouvir a célebre frase "Quando você for mãe, você vai saber..." ou "Deixa quando você tiver os seus filhos..." ou "Só quem é mãe que sabe."

Há três anos não ouço nenhuma delas e é reconfortante. Sim. Agora posso compreender tudo que minha mãe dizia. É verdade. Mas é verdade também que ficar ouvindo aquilo o tempo todo irritava um pouco. Dá vontade de dizer "Tá... Tá... Eu já sei...", mas eu não podia! Senão ela diria "Quando você for mãe você vai ver o quanto essas más criações doem." e pronto, tava instalado o drama. Se tem uma coisas que nós (mães) sabemos fazer é drama. Confesso que eu achava isso uma artimanha desprezível, mas hoje ela passou de desprezível para extremamente eficaz. Basta o menino fazer algo que eu não quero ou não gosto que já vou logo pondo a mão no rosto e forjando um choro! Nem preciso chorar. Ele, esperto como é, já entendeu que se iniciou a sessão drama e já trata logo de mudar de postura antes que eu comece a dizer que os filhos dele farão exatamente igual. É um ciclo, meus caros! Inevitável! Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais, em maior ou menor grau acabamos sempre por nos comportar como eles.

P.S.: Hoje não errei a letra da canção. ;)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Homens de All Star

All Stars me comovem. Gosto de pessoas que usam esse tipo de tênis. É uma sensação empática, sabe? Tipo um símbolo tribal, daqueles que você vê em outras pessoas e reconhece de onde ela vem, do que ela gosta e o que ela realmente é. Tá certo. Eu fui longe demais. Um simples tênis não revela tanto assim sobre uma pessoa, mas que é uma identidade, ah, isso é.
Esses dias eu vi uma adolescente que usava os restos mortai de seu All Star como se fosse algo extremamente importante e fundamentado. E garanto que naquela performática mente juvenil o tênis (ou o que sobrou dele) representava algo realmente importante e fundamentado. Caso contrário, quem se dignaria a usar um calçado aberto na lateral, quase sem sola e com os cadarços imundos? Questão de ideário. Quem usa All Star tem um quê de diferente, tem um balacobaco, um parangolé, saca? Já vi muitos velhinhos usando esse tênis. Daí eu me pergunto por que eles usam camisa de manga curta e All Star em vez de sapatos de verniz e suspensórios? É esse que é o Plus da coisa ou o X da questão. Esse tênis de design tão antigo, mesmo se repetindo faz com que as pessoas se tornem únicas aos olhos das demais.

É por esse motivo que tenho tara por homens de All Star. Não é uma tara safada, podem ficar tranquilos. Não imagino um homem pelado em minha cama usando um All Star azul que combina com o meu preto de cano largo. É uma tara charmosa, talvez até um fetiche. Mas repare bem, eu disse que gosto de HOMENS de All Star. Não é qualquer menino ou moleque que desperta essa sensação em mim. Portanto, não vai adiantar por um tênis desse e sair desfilando na minha frente, não! Tem muito mais a ver com a postura que os homens que usam All Star possuem. São bem resolvidos e não se importam com o que pensam deles. Eles gostam de usá-lo e pronto! É isso!

Ai! Ai! (suspiro)

Homens de All Star, vocês terão sempre um lugar cativo no meu coração.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Bancariterapeuta

Essa semana recebi um texto de um amigo que tem feito com que eu reflita sobre algumas coisas. Primeiro tenho de confessar que sou adepta da terapia, mas não sei se por um acaso do destino ou o quê, as minhas três últimas psicólogas me abandonaram (problemas com o convênio). Daí, resolvi, eu mesma me teurapeutizar. Eu mesma me pergunto as coisas. Eu mesma me respondo... e por aí vai. É meio chato, é verdade, contudo, não quero correr o risco de ser abandonada por uma quarta terapeuta. Chegaria a um ponto em que eu faria terapia por conta do abandono sofrido pelas mesmas... não daria certo... não mesmo!

Pois bem, voltando ao texto do meu amigo, ele dizia que precisamos sair do status quo e criar coragem para alçar novos vôos. Que não há como ir para um cômodo da casa sem antes atravessar a porta. E meu carma tem sido esse ultimamente: atravessar a porta. Parece que quando eu a atravesso, vem alguém que puxa o tapete sob os meus pés e me coloca no cômodo anterior novamente. É bom quando a gente encontra um gás, sabe? Já ouviu a expressão "sair no gás"? Então, é isso! Às vezes, nos deixamos levar por essa vida pachorrenta e não guinamos. Resolvi, portanto, levar essas questões para o meu auto-consultório. Olha só no que deu:

-Doutora, eu preciso mudar. Eu precio abrir novos horizontes para mim. Fazer coisas novas.
-E por que você quer isso?
-Ah, porque ninguém deve viver travado numa coisa só a vida inteira, sendo infeliz naquilo que faz.
-E quem te disse isso?
-Uma revista.
-Hummm...
-Mas é a verdade, doutora. Eu preciso encontrar uma forma de mudar a minha postura de vida.
-Sim...
-E eu preciso que a senhora me ajude!
-Mas só você pode se ajudar.
-Mas você sou eu, lembra!? Portanto, eu exijo que você me ajude!
-Sinto muito... fere nosso código de ética...
-Que ética!? Que mané ética! Você nem é psicóloga de verdade! Só tá aí fazendo um bico! Você é bancária! Ban-cá-ria! Entendeu?
-Ai... Nem me lembre disso...
-Pois é, então, coloque-se no seu lugar!
-Ah, é?!
-É!
(Pausa)
-Só isso, né, senhora? Próximo, por favor!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Volta!

Esse blog tá ficando chato, sabia? (Antes que você diga que ele sempre o foi, já vou dizendo que o xizinho vermelho no canto superior direito da tela é serventia da casa, viu, senhor Leandro Chatonildo Arantes! cujas publicações insolentes faço questão de não publicar.) Porque estou numa fase intrínseca cujos os pensamentos são perigosos demais para postá-los aqui. Quero que volte a minha fase escrachada e fanfarrona. Se alguém a encontrá-la perdida em algum lugar, diga a ela para voltar pra casa. Estou com saudade de tirar um sarro das coisas... Mas anda tão complicado! Tudo está ficando politicamente incorreto: não posso falar de crianças feias, não posso falar de pessoas próximas a mim, não posso falar dos meus chefes, nem dos meus amores... Tá foda, viu?!