terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Se a vida lhe der limões...

O prático - Faço uma limonada.
O revoltado - Enfia esses limões no seu cu.
O agradecido - Ó, puxa! Limões! Eu adoro limões! Obrigada!
O humilde - Não precisava... Que lindos limões...
O conformado - Ok. Dê-me cá os limões.
O inconformado - Eu não queria limões! Nunca pedi limões! Queria mesmo era laranja-lima!

Mas se por acaso a vida resolve lhe tomar os limões de volta:

O prático - Já fiz a limonada e já bebi.
O revoltado - Não precisa levar tão a sério o que eu disse...
O agradecido - Ah, mas eu havia me apegado tanto a eles...
O humilde - Certamente eles estarão melhor com você.
O conformado - Tudo bem, pode levar os limões.
O inconformado - Agora que me acostumei a ter limões, vem você e os toma de mim?! Ah, vá!

(Post em construção...)

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Lições da escola

Ainda sobre material escolar, gostaria de compartilhar com vocês mais um recorte da minha infância pobre. Antes de começar, quero esclarecer que quando conto episódios tais como o de hoje, a intenção não é outra senão demonstrar a vocês o quanto sou grata pela educação que tive. Fui criada com muito pouco e, por isso, hoje sei valorizar tudo que tenho.

Pois bem, a passagem da qual me recordei enquanto encapava os livros do meu pequeno é que quando eu comecei a estudar, ganhávamos do Governo um caderninho, um lápis e uma borracha. O caderninho era pequeno e de capa mole, com o  Hino Nacional na contra-capa. Mas para nós, era o máximo ganhar um caderno, um mimo. Fazíamos margem nele com caneta vermelha e o encapávamos. Aí que entra a parte mais bacana. O senhor, nobre leitor, acha que nós - estudantes de escola pública, no início dos anos 90, leia-se início da Era Collor - dispúnhamos de quaisquer recursos para comprar plástico para encapar livros e cadernos? Chegava ser heresia cogitar uma asneira dessas! Plástico colante, então! era coisa de menino de escola particular! Burguesinho!

Nossos livros eram personalizados: sacolinhas de supermercado, saquinhos de açúcar, lona, jornais, papel de pão... Certa vez, minha mãe encapou um caderninho meu com um retalho que estava sobrando em seus guardados. Imagine o frisson que não causei quando cheguei com um "caderno revestido em tecido", para os dias atuais. Teve também a vez que meu padrinho foi representante
comercial da Garoto e ele me deu um rolinho do papel amarelo escrito Garoto em vermelho que usavam para forrar as gôndolas nos supermercados. Uau!!! Meus livros eram únicos na escola todinha! Ninguém tinha um livro com a capa igual a minha! Vergonha? Não, nunca tive. Éramos todos pobres. Alguns até mais do que eu... Não tinha porque me envergonhar. A precariedade era tanta onde estudei, que alguns pais colocavam os filhos em turnos alternados para que usassem a mesma camiseta de uniforme - que era apenas uma para os dois irmãos.

Logo, aprendi desde cedo a valorizar o que tenho e ontem, ao arrumar o material do meu filho, que estuda em escola particular e que, portanto, não ganha cadernos, tampouco livros, sequer um lápis do Governo, percebi que isso fará falta a ele um dia. O "não possuir" coisas ajuda a moldar a índole e o caráter das pessoas e sei que meu filho crescerá sem essa experiência. E por mais que tentemos educar, explicar e ensinar, não há nada como a vivência para gravar aprendizado no coração das pessoas.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Ajustando as margens

Neste exato momento em que escrevo esse texto, minha impressora está a imprimir as margens no caderno de desenho do meu filho. Sim. Ano passado tive a brilhante ideia de desencadernar o caderno e imprimir as margens nas folhas, em vez de ficar fazendo traços com caneta e régua.

Fico ligeiramente orgulhosa de mim com esse arranjo produtivo, todavia nem tudo são flores no mundo das ideias (e em outros mundos também). Tive de fazer 12 experimentos até chegar ao resultado em que eu pretendia, entre espessura, cor, alinhamento e distância. Fiquei nervosa, gritei com o computador, gritei com o Pedro, quis largar tudo e fazer à mão. Mas, em vez disso, fui na cozinha e tomei um copo d'água... três respirações profundas e voilá! A resposta para o que não estava dando certo apareceu! E nesse instante, as folhas estão sendo impressas com uma velocidade que eu seria incapaz de riscar manualmente.

O bom de envelhecer é tirar lições, sabia? Hoje, tudo que vivencio consigo extrair da situação algum aprendizado. Concluí que se eu tivesse desistido na décima primeira folha, eu não estaria aqui agora escrevendo esse texto e, sim, riscando folhas com uma régua e uma caneta... contrariada da vida... Também concluí que desistir antes de esgotadas todas as possibilidades não é a melhor alternativa. Afinal, eu tinha cem folhas de papel para tentar e tentar e tentar. E se não desse certo após as cem? Aí eu teria de comprar outro caderno.

Opa! Tenho de terminar por aqui. A impressora já fez o meu trabalho. Foi difícil até acertar as configurações, mas depois disso...

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Por mais prosa em 2015

Oi, blog!

É bom estar de volta, mesmo que seja só de passagem, para lhe desejar um Feliz Ano Novo.
Por falar em ano novo, neste que passou aconteceu algo esquisito, ou melhor, tudo que aconteceu foi esquisito... Acho que por conta disso, não trouxe expectativas para 2015, não fiz as minhas tradições de fim de ano, meus planejamentos, não fiz absolutamente nada! A virada mesmo tentei passar dormindo, mas meu vizinho e seu som estúpido não permitiram. Águas passadas.

Blog, não lhe prometo nada para 2015. Não prometo que escreverei mais textos, que lerei mais livros e nem que serei uma pessoa melhor. Entretanto, tenho uma torcida para esse ano que se inicia. Torço que as pessoas sejam mais presentes umas nas vidas das outras, torço para que elas tenham menos ocupações e mais tempo para o ócio, torço para que elas voltem a ter assunto e conversar entre si, torço para um bug no Whatsapp.

Além da parte financeira, que nunca esteve tão mal desde que eu administro minhas próprias contas, a parte afetiva deixou a desejar. Mais particularmente com relação aos meus amigos. Tenho perdido boas amizades e não tenho conseguido construir novas com a solidez das antigas. Não sei se é porque eu fui alguém mais interessante e agradável do que sou hoje, ou se foram os padrões dos meus amigos que se tornaram rigorosos demais. Também não me preocupo muito com isso. Por falar em preocupação, 2014 também me agraciou com meus primeiros cabelos brancos e não tem sido fácil lidar com a chegada deles. 

Eu disse que não me preocupo, mas lamentar, eu lamento. Sinto muito não ficar mais horas a fio na casa de algum amigo, conversando despreocupadamente. Talvez seja porque as preocupações são tantas que chegam a saltar da cabeça - acredito, mas isso é segredo nosso, que algumas delas saem em forma de cabelos brancos. Todavia, as tarefas e compromissos não nos permitem desligarmos por míseras três horas do mundo lá fora. Por conta disso, 2014 também me brindou com surtos de ansiedade, inúmeras vezes confundidos com algum problema cardíaco. Mas era SÓ ansiedade...

Pessoas ansiosas não conseguem se divertir, porque seu pensamento está sempre no futuro. O presente é um martírio para um pobre ansioso como eu. É nessa hora que entram os amigos. Que conversemos uns com os outros, que tenhamos tempo uns para os outros, que ao sairmos uns com os outros resgatemos a fala, a oralidade, a troca de experiências. Essa é minha torcida para 2015.