terça-feira, 6 de setembro de 2011

Acontece

Marcos a conhecera num bar em Ipanema. Uma viagem de negócios. Uma caminhada a noite pela calçada... para espairecer. Uma mulher inebriante tomando um martine sozinha no bar. Puxou o ar para os pulmões. O que tinha a perder? Absolutamente nada. Quarenta e dois anos. Divorciado há três. Bom emprego. Boa casa em Goiânia. Bons filhos. Tudo muito ameno. E, de repente, aquela mulher... inebriante. Era essa a palavra: i-ne-bri-an-te. Os ébrios vêem coisas que os sóbrios não vêem. Os bêbados conversam com o que há de mais recôndito na pensamento das pessoas. Pessoas bêbadas se deixam demonstrar. E por isso, enxergam melhor. E naquele momento ele via muito além da mulher loira de vestido e batom vermelho sentada no bar e bebendo um martine. Seria tudo muito clichê, se não fosse aquele magnetismo que o convidava a entrar no recinto.
Entra. Senta-se ao lado dela olhando para as taças na parede do bar. Fixamente.
-Não sei. Esperando algo interessante acontecer.
Sem mover o corpo, apenas a cabeça olha para ela e constata que aquelas palavras tinham sido para ele.
-Como?
-Eu sei que você se perguntava o que uma mulher tão bonita está fazendo aqui sentada, bebendo sozinha...
"Meu Deus, que voz sensacional!" - pensou Marcos. Sentia como se cada som daquelas palavras percorresse seu corpo e adentrasse todos os espaços, preenchendo-o.
-Não vou dizer nada. Se quiser, pode ficar aqui...
E ficaram alí por três horas sem trocar nenhuma palavra sequer. Um uísque para ele, outro martine para ela, outro uísque, mais um martine,... ambos mudos, inertes...
Ele resolve ir embora. Ela o acompanha. Sem palavras, sem gestos afetuosos, sem intimidades, caminham pela calçada. Estão assim apenas pela companhia. Não querem estar sozinhos. Mas também não querem conversar. Medo de estragar aquele momento agradável de silêncio e cumplicidade. Talvez outro dia conversemos. Talvez...

(*Não sou dada a histórias, mas de repente me deu vontade de escrever uma... Talvez eu a continue... Talvez...)

Um comentário:

  1. Eu sabia que você era uma contadora de estórias! :)

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