domingo, 21 de agosto de 2011

A dádiva

Eu amo o meu filho. Isso é um clichê porque qual mãe não ama o filho incondicionalmente? Mas estou falando de MÃE, mãe mesmo, mãe de verdade! Pois há mulheres por aí que simplesmente se dão ao trabalho de gerar e parir e soltam os bichinhos no mundo sem dar-lhes o mínimo que eles merecem por serem também filhos de Deus. Nem gastarei o meu francês falando dessas vadias desnaturadas que abandonam os filhos ou não cuidam deles. Vou me resumir em falar da minha experiência com a maternidade, que, sem dúvida alguma, foi a melhor coisa que me aconteceu nesses últimos 25 anos.

Não costumo dizer que tive uma gravidez indesejada (acredito que palavras ruins atraem coisas ruins), digo apenas que ela não foi planejada por nós. Contudo, foi perfeitamente planejada por Deus. Quando engravidei me perguntava muito "por quê? por quê, Deus? por quêêê foi acontecer comigo?". Não explicitarei detalhes técnicos da concepção pois não é adequado falar sobre isso em um blog, mas adianto que sou uma pessoa esclarecida sobre métodos anticonceptivos, e no entanto, aconteceu. Enfim, depois de passado o susto maior, veio a aceitação e depois o apego. O momento mágico da minha gravidez foi quando fiz o primeiro ultrassom e o médico falou: "Seu filho tem o tamanho de um feijão. Escuta só o coraçãozinho dele." E batia tão acelerado. E era tão lindo imaginar que o meu feijãozinho tinha um coraçãozinho que já batia e toda aquela vida estava dentro de mim e dependia de mim... Foi a missão mais sublime de toda a minha vida. Eu disse pro médico: "Eu quero esse menino mais que tudo nessa vida."

Desse momento em diante tudo se transformou por completo. Junto à mudança da rotina vieram as mudanças de comportamento, mudanças físicas, todos os seu valores são lançados numa mesa e você os reordena em prol daquela vida que está para nascer. Quando eu estava em Santa Catarina, uma amiga me falou, assim, por acaso, ela nem sabia que eu estava grávida... "Ana, somente pelo meu filho eu seria capaz de matar." Vocês conseguem imaginar o que passa no coração de uma mulher quando o assunto é seu filho? Nós perdemos qualquer razão, pudor, medo, preguiça,... o amor materno é o sentimento mais superior ao qual eu pude ter contato (em termos humanos, é claro, porque o amor de Deus é do borogodó!)

Eu amadureci tanto nesses quase três anos que às vezes não me reconheço. Sempre tive boa índole, caráter e senso de responsabilidade. Entretanto, agora sou uma mulher de verdade. Não que eu esteja subestimando as minhas amigas que ainda não são mães, só que, modéstia à parte, nós mamães, matamos um leão por dia. Leão nada! Mato dois tigres, uma onça-pintada, três pumas e uma jaguatirica! Quando eu engravidei o meu sábio pai disse: "Onde o pote quebra, a rodia fica." Trocando em miúdos é o que Saint-Exupery escreveu: "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas." Eu levo isso a sério demais. Meu filho é o meu maior presente e gosto de fazer jus a isso, nem que eu tenha de abrir mão de um monte de coisa, carregar o mundo nas costas ou buscar energia de onde nem se imagina. Um sorriso dele, associado a três beijinhos (um em cada bochecha e um no queixo) e um maamãããee arrastado paga qualquer, qualquer coisa nesse mundo.

2 comentários:

  1. Que lindo! Você tem que mostrar isso pro Pedrão quando ele tiver mais velho! Sua coruja! :)

    ResponderExcluir