quarta-feira, 22 de maio de 2013

Monteiro Lobato dança quadradinho de 8

Em alguns momentos duvido dos meus valores, daqueles conceitos que trago dentro de mim desde pequenininha. Isso acontece porque quando vejo um monte de gente aplaudindo coisas que eu não aplaudo e vejo outras condenando coisas que eu não condeno, começo a me perguntar se a errada sou eu ou o mundo.

O quadradinho de oito. Ver essa nojeira na tevê, sendo aplaudida pelo público, replicada pelos programas, aclamada pelos apresentadores faz com que eu coloque em xeque primeiro o bom gosto alheio e segundo a decência dos meios de comunicação (leia-se, tevê brasileira). 

Li na Carta Capital dessa semana mais um artigo falando das obras de Monteiro Lobato que se tornaram inapropriadas para as crianças por ter cunho preconceituoso, principalmente ao falar da cor da pele da Tia Anastácia. Não entendo como que falar que uma pessoa preta é preta pode ser expressão de preconceito. Não se pode falar que um gordo é gordo? Que um míope é míope? Sou contra o racismo e o preconceito expresso, por exemplo, quando alguém fala "Sai daqui, seu preto!". Isso pra mim é racismo, agora dizer "Tia Anastácia era preta como um macaco", não soa - ao menos aos meus ouvidos - como um ato preconceituoso. Se dissesse que ela era "esguia como a Giselle" tava tudo certo, aí seria elogio, né?

Portanto, a minha indignação é acerca do fato de que insinuar sexo na tevê por meio de danças cada vez mais indecentes, isso pode. Mas incentivar a literatura, mesmo que com traços não "adequados" aos dias atuais, isso não pode.

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