terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Velha infância

Neste feriado estive na minha cidade natal. Visitei os parentes e me deparei com uma dura (mas muito dura mesmo!) realidade: estou envelhecendo.

Passar pelas ruas onde cresci, os lugares onde frequentei, rever as pessoas com quem convivi, tudo isso gera muito saudosismo e uma pitadinha de melancolia. É triste ver que as ruas por onde eu passava quando voltava da escola estão todas esburacadas (demonstrando o total descaso da administração pública com a MINHA cidade). É triste perceber que as pessoas dali estão decepcionados com os políticos, com a saúde, com o lazer... É triste saber que nada daquilo me pertence mais. Mas por outro lado, é bom também. É bom saber que todas as experiências, apesar de serem marcantes em nossas vidas, elas têm um prazo de validade. Nada dura pra sempre, a menos que seja cultivado. E eu deixei que as ervas daninhas do meu coração tomassem conta do sentimento que eu nutria pela minha cidade.

O lado bom de entrar em contato com o passado é perceber que na maioria das vezes damos proporções maiores às coisas do que elas realmente têm. Por exemplo, o quintal da minha casa era muito maior quando eu brincava nele. O pé de manga do Seu Nestor era muito mais alto e desafiador quando fazíamos casinha na árvore. As janelas da classe onde estudei eram altas demais para que pudéssemos subir para olhar a rua... hoje, nem tanto. O namorico de ensino fundamental acabou e nem sei por onde anda meu príncipe pelo qual derramei rios e rios de lágrimas por noites e noites. Hoje meus problemas são bem maiores do que querer desmascarar a menina metida da rua. E assim é a vida.

Contudo, a trágica conclusão a que cheguei no começo desse texto, revelou-se diante dos meus olhos ao notar que meu filho brincava com os filhos das minhas primas. Não tem nada mais comovente do que ver crianças brincando de pega-pega, onde há alguns poucos anos você mesmo brincava, e, ainda pior, com os pais delas! Deus, obrigada por me proporcionar essa cena. É um ciclo lindo de se ver. E mesmo que eu eu não sinta pela minha cidade tanto carinho quanto já senti, eu sinto pelos meus familiares uma eterna gratidão pela infância feliz que tive ao lado deles.

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