domingo, 5 de fevereiro de 2012

Bancariterapeuta

Essa semana recebi um texto de um amigo que tem feito com que eu reflita sobre algumas coisas. Primeiro tenho de confessar que sou adepta da terapia, mas não sei se por um acaso do destino ou o quê, as minhas três últimas psicólogas me abandonaram (problemas com o convênio). Daí, resolvi, eu mesma me teurapeutizar. Eu mesma me pergunto as coisas. Eu mesma me respondo... e por aí vai. É meio chato, é verdade, contudo, não quero correr o risco de ser abandonada por uma quarta terapeuta. Chegaria a um ponto em que eu faria terapia por conta do abandono sofrido pelas mesmas... não daria certo... não mesmo!

Pois bem, voltando ao texto do meu amigo, ele dizia que precisamos sair do status quo e criar coragem para alçar novos vôos. Que não há como ir para um cômodo da casa sem antes atravessar a porta. E meu carma tem sido esse ultimamente: atravessar a porta. Parece que quando eu a atravesso, vem alguém que puxa o tapete sob os meus pés e me coloca no cômodo anterior novamente. É bom quando a gente encontra um gás, sabe? Já ouviu a expressão "sair no gás"? Então, é isso! Às vezes, nos deixamos levar por essa vida pachorrenta e não guinamos. Resolvi, portanto, levar essas questões para o meu auto-consultório. Olha só no que deu:

-Doutora, eu preciso mudar. Eu precio abrir novos horizontes para mim. Fazer coisas novas.
-E por que você quer isso?
-Ah, porque ninguém deve viver travado numa coisa só a vida inteira, sendo infeliz naquilo que faz.
-E quem te disse isso?
-Uma revista.
-Hummm...
-Mas é a verdade, doutora. Eu preciso encontrar uma forma de mudar a minha postura de vida.
-Sim...
-E eu preciso que a senhora me ajude!
-Mas só você pode se ajudar.
-Mas você sou eu, lembra!? Portanto, eu exijo que você me ajude!
-Sinto muito... fere nosso código de ética...
-Que ética!? Que mané ética! Você nem é psicóloga de verdade! Só tá aí fazendo um bico! Você é bancária! Ban-cá-ria! Entendeu?
-Ai... Nem me lembre disso...
-Pois é, então, coloque-se no seu lugar!
-Ah, é?!
-É!
(Pausa)
-Só isso, né, senhora? Próximo, por favor!

Um comentário:

  1. Kkkk, texto muito bom!
    É bom saber que eu não sou o único que tem um terapeuta imaginário :)

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