quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Ladies and gentlemen

Finalizando o atendimento:
-Posso ajudar em algo mais, senhora?
-Pode. Não me chama de senhora, não. Nem sou tão velha assim...
Respondo no meu íntimo:
"A senhora que pensa, senhora..."
-Tá bom. Se isso a faz se sentir melhor...

Será que as pessoas se baseiam em quê para não gostarem de ser chamadas de senhoras e senhores? Senhor, no meu caso de atendente, significa respeito por ele ser meu cliente e não pela idade. Tanto que chamo até moleque de senhor.

(...)

Depois de olhar a identidade dela e constatar que nascera no mesmo dia, mês e ano que eu, pergunto:
-Você acha que é mais jovem ou mais velha que eu?
Pensou um pouco, gaguejou e por fim respondeu que ela era mais velha.
Obviamente falou isso por educação, porque ela me achou mais velha e "acabada" que ela, entretanto não teve coragem de assumir. Digo isso porque eu também pensei o mesmo dela! É difícil se dar conta e assumir que estamos envelhecendo. Quase pedimos, imploramos para que alguém nos rejuvenesça em alguns aninhos. Aquele tão bem quisto "Puxa! Você tem isso tudo? Não parece!" é muito mais bem vindo do que o "Só isso!? É novinha demais!" Como assim? Então eu pareço ter mais que isso? Estou velha e acabada e pareço um maracujá enrugado? Pois saiba que você também não tá lá essas coisas não, viu? Custa ser educado? Custa ficar calado, então? Por mais que digamos não nos importar com aparência, depois dos vinte e cinco os anos costumam incomodar um pouco. E o incômodo cresce em progressão geométrica!

Baseada nisso eu decidi que a partir de amanhã tratarei todo mundo por moça e moço. Pode chegar uma senhora de oitenta anos no meu guichê que eu direi:
-Bom dia, moça! Tudo bem com você? Só de boa? Quê que cê manda, linda?

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