sábado, 7 de setembro de 2013

Solta a vida e empina a pipa

Mês que vem farei 28 anos.
Já andei a cavalo. 
Já beijei namoradinho no portão.
Pesquei traíra em córrego.
Mas nunca tive um cão, nem andei de patins.
Hoje, faltando pouco mais de um mês para completar 28 anos, eu soltei pipa.
Nunca havia empinado uma pipa na minha vida. Sequer tinha lido um livro para aprender a técnica para colocá-la no ar e fazê-la subir - sim, porque muitas coisas não conhecemos na prática, mas somos doutores em teoria.

Entretanto, ser mãe solteira nos faz ficar expertes em papéis duplos. Não que eu esteja dizendo que uma mãe não possa soltar pipa com o filho (tanto que assim o fiz), mas se meu filho tivesse um pai presente com certeza eu delegaria essa função a ele. Ser mãe é desdobrar. É pagar um mico em troca de um sorriso. É poder ter o orgulho de dizer que daquela memória, eu fiz parte.

Enquanto eu ia pelejando com aquela coisa e a cada metro que ela subia, eu me sentia um pouquinho mais feliz e realizada. Comecei a fazer comparações com a vida e concluí que, assim como a pipa, o mais difícil é subir e chegar ao topo torna-se consequência. Depois basta que façamos movimentos constantes, para não permitir que ela caia, sem jamais esquecer que há uma linha que a liga à sua origem e que em algum momento ela terá de retornar. Divagos.

Felizes são as crianças, que quando perguntamos porque ela gosta de soltar pipa, simplesmente respondem "porque é bom". Simples. Enquanto eu, adulta de 27 anos, fico presa a comparações e analogias com a vida. Essa adultice a qual me refiro parece uma nhaca! Talvez precisemos praticar e praticar e praticar criancices horas e dias a fio até sermos capazes de soltar pipa apenas porque é bom.

Um comentário:

  1. Só pra complementar o "pq é bom!":

    pq eu gosto!

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