sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Discutindo religiosidade

Ontem me senti muito despreparada religiosamente para ensinar qualquer conceito religioso ao meu filho. Voltávamos de um passeio e Pedro vinha resmungando pelo caminho, como habitualmente o faz quando algo não sai do seu agrado.
-Papai do Céu, eu quero que você ponha todos os meus amiguinhos de castigo porque eles estavam brincando com os meus brinquedos...
-Que que foi, meu filho?
-Nada, não, mãe. Tô falando com Papai do Céu.
-Tá pedindo chuva pra nós?
-Não. Tô falando pra ele colocar meus amiguinhos de castigo porque eles estavam brincando com as minhas coisas. Mãe, como é que o Papai do Céu põe a gente de castigo?
(engoli seco)
-Uai, meu filho. Acontece algo pra gente que a gente fica triste. Isso pode ser um castigo do Papai do Céu. Tipo, se você não deixa seus amiguinhos brincarem com seus brinquedos, aí um deles quebra. Isso é castigo porque você não dividiu.
-Se Papai do Céu quebrar um brinquedo meu, eu falo pros anjinhos lá no Céu botarem Ele de castigo!
-Mas ninguém castiga Papai do Céu, porque ele é mais poderoso que todo mundo. Ele é dono de tudo que tem na Terra. Ele vê tudo que todo mundo tá fazendo.
-É?? E como Ele vê as coisas lá do Céu?
-Ele olha aqui pra nós e vê o que cada um está fazendo.
-E como Ele vê debaixo do telhado?
(engoli um rolo de arame farpado)
-Pro Papai do Céu não existe telhado, nem parede, nadinha. Ele vê todos os lugares.
-Mas como ele vê debaixo do telhaaado?? 
Percebi que minha resposta genérica não o havia convencido e que eu precisaria ir um pouquinho adiante. Todavia, a essa hora eu só queria sair dessa conversa religiosa complicada.
-Sabe quando você olha no vidro e consegue ver do outro lado? Pra Papai do Céu é assim: tudo é transparente. Os telhados e as paredes são como se fossem de vidro. Aí ele consegue enxergar todas as coisas, em todos os lugares.
-É, mamãe?? 
-É, filho.

Finalmente encerramos a conversa, mas eu não fiquei feliz. Sei que ele retomará esse assunto. Senti-me completamente despreparada para lidar com um assunto tão subjetivo quanto a religiosidade com uma criança que ainda não tem esses conceitos muito claros em si. Todavia, carrego comigo a certeza que fiz o melhor que pude naquele momento e, talvez noutra oportunidade, eu possa fazer melhor.

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