sexta-feira, 20 de julho de 2012

Clientes malcriados

A falta de educação é algo voluntário ou involuntário?
É possível que alguém haja deselegantemente inconscientemente?
Não sei. Tenho dúvidas profundas acerca disso.
O que suscitou essa pequena discussão neste blog é o fato de os clientes não quererem ser atendidos por mim.
Isso mesmo!
Confesso que não gosto deles. Tudo que termina em "ente" para mim carrega uma certa carga de menosprezo. Cliente, gerente (não o meu, é claro, porque o meu é ótimo, viu chefinho!?), atendente, parente (aqueles distantes), doente... todas essas classes de pessoas não são exatamente muito "agradáveis", digamos. Portanto, eu atendo clientes porque é parte da minha função, mas está longe de ser aquilo que mais gosto de fazer na vida. Mas isso não justifica as situações que descreverei a seguir. Contudo, antes preciso fazer uma ressalva. A pessoa que trabalha ao meu lado está na agência há anos e conhece todos os clientes, gosta de trabalhar lá, atende com carinho e é super amável com eles - ou seja, completamente diferente de mim.
-Bom dia, que bom que foi você que me chamou, Lourdes*.
Volto-me para o cliente e digo:
-Então quer dizer que se eu tivesse chamado o senhor não seria bom?
-Não, mas é que eu conheço a dona Lourdes há muito tempo...
-Mas a partir do momento que o senhor fala que prefere a ela, está despreferindo a mim. Ou seja, se o senhor prestigia o atendimento dela, está desprestigiando o meu.
-Não, menina, não é nada disso. Eu não quis ofender. Mas é que eu e a dona Lourdes somos muitos amigos...
-Então o senhor vá até a casa dela pra conversarem. Aqui ela é tão atendente quanto eu. Se eu discriminasse o senhor garanto que não ia gostar. Se eu me virasse para o meu cliente e dissesse "Nossa, ainda bem que eu estou atendendo você e não esse senhor aqui do lado", o que o senhor ia pensar de mim? No mínimo que eu fui grossa, não?!
-Ô, menina... Então da próxima vez eu faço questão de ser atendido por você.
-Não senhor! Agora quem não quer atendê-lo sou eu! Questão de brio! 
-Então eu vou reclamar com o seu gerente.
-O senhor é muito persuasivo, sabia? Será um prazer atendê-lo...


*O nome da colega foi trocado para não termos problemas.
**Ela não sem importa com as minhas inferências durante o atendimento dela porque sabe que é tudo brincadeira (com um leve fundo de verdade - principalmente na parte da falta de educação dos clientes).

Um comentário:

  1. Também não gosto de coisas que terminam com "ente". Por exemplo crente, e pente :/

    Enfim, adoro aprender palavras novas nos seus textos. Por exemplo a que eu aprendi hoje foi "brio", que antigamente eu pensava ser uma forma caipira de se dizer "brilho".

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