terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Amélia e outras mulheres

Eu tenho pensamento musical.
Ah, você não sabe o que é um pensamento musical??!!
É quando associamos música a tudo que vemos, sentimos ou ouvimos. E olha que isso é muito, mas muuuito frequente em mim. Poderia exemplificar cantarolando/escrevendo aqui por linhas e linhas a fio. Entretanto vou me ater aos meus preciosos clientes - novamente.
Semana passada eu atendi à senhora Jardimira. Mal terminei de ler o nome da pobrezinha na identidade e comecei a cantarolar em pensamento: "Ó jardineira por que está tão triste? Mas o que foi que aconteceu?". Não sei porque isso acontece... Simplesmente flui... A dona Antonieta é outra prova dessa minha sandice: "Tieta do agreste, lua cheia de tesão, é lua, estrela, nuvem carregada de paixão... Tieta! Tieta!" E sigo assim cantando todas as mulheres que me aparecem: Julieta, tá, tá, tá me chamando; minha pequena Eva; a Conceição, eu me lembro muito bem; Renata, ingrata; Carolina, uma menina tão difícil de esquecer; a Marina, morena; pra no frigir dos ovos só a Amélia ser mulher de verdade.

A Amélia merece um parágrafo só para ela. Afinal, ela não é a mulher de verdade? A queridinha dos homens? Que achava bonito e natural não ter nem o que comer? Conformada e submissa. É assim que eu vejo a Amélia! Consigo vê-la sentada na cadeira da cozinha, remendando os buracos da meia do marido, iluminada com uma candeia de óleo de mamona num prato de esmalte sobre a mesa. E o marido, onde está? No bar, apostando que a sorte no baralho trará comida para dentro de casa. E Amélia lá, a esperá-lo para lavar seus pés com água morna antes de deitar. Não precisa me dizer que a música é uma metáfora, que o que o compositor quis dizer apenas é que as mulheres de hoje em dia são interesseiras e que já não se fazem mais companheiras como antigamente. Eu sei disso! Mas mesmo assim, ninguém tira de mim a indignação ao ouvir essa música.

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