segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Minha viagem à Chapada

Quando recebi o convite para conhecer o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros já estava com outra pequena viagem marcada com algumas amigas. Confesso que não gosto de viajar dois finais de semana seguidos. Entretanto, era um senhor convite. Um daqueles que aparecem raramente e, melhor ainda, tinha chances de dar certo. Sim, vamos.

Tenho de reconhecer que não poderia ter ido em companhia melhor. Uma pessoa amável, educada, disposta (e bota disposição aí, porque eu jamais seria capaz de dirigir todos os quilômetros que ele dirigiu!), zelosa e inteligente. Realmente uma ótima companhia.

As belezas naturais do lugar são inegáveis. A simplicidade do povo interiorano, a misticidade do local e a tranquilidade que o ar puro nos traz é um refresco para a alma e a mente atribulada. Lamentei somente não termos mais dias para desfrutar daquele paraíso. Tantos lugares ainda ficaram por conhecer. Coisas novas para experimentar. Um convite ao retorno.

Os Kalungas - comunidade quilombola de Cavalcante - são uma atração à parte. Mas senti falta de duas coisas: a primeira um trabalho turístico mais comunicativo e a segunda um artesanato mais elaborado. Há muitos quilombolas trabalhando como guias turísticos, entretanto acredito que se explanassem mais sobre a cultura e a história deles, em vez de apenas nos conduzirem às cachoeiras, nos traria ainda mais admiração pela comunidade. E quanto ao artesanato, a região possui matéria-prima em abundância para confeccionar coisas lindíssimas! Com um pouco de profissionalização e cursos de aproveitamento certamente eles poderiam ter um retorno financeiro maior e a disseminação do trabalho deles por várias partes do Brasil.

A Cachoeira de Santa Bárbara é simplesmente linda. O tom azulado da água nos remete à imagens de cinema. Acho inclusive que ela disputa a beleza com a Cachoeira das Capivaras, que lança mão de vários tons esverdeados para nos encantar. Mas as duas se equivalem no que diz respeito à temperatura da água: gelaaaadaaa. Como mil facas perfurando meu lindo corpinho, a friagem nos penetra e faz despertar aquilo que de mais dormente há dentro de nós. Vale a pena conhecê-las.

Mas a minha vedete mesmo, a que balança meu coração e me enche de alegria, eu nem precisaria ir tão longe para encontrá-la. Meu amor é o pequizeiro. Algumas coisas simples têm o dom de me fazer sorrir, o pé de pequi é uma delas. O pequi é relativamente raro, produz apenas uma vez ao ano. Normalmente solitário, ou se em conjuntos, esparsos uns dos outros. Mas mesmo assim, no seu isolamento, mesmo tendo um fruto espinhoso, um cheiro invasivo, uma nódoa única, não deixa de ser requisitado e bem quisto. Para mim é o soberano do cerrado. Aliás gosto daquilo que se destaca nos poeirentos meses de inverno. Inclusive, já escrevi uma lorota sobre o meu querido ipê amarelo. Essas árvores que mesmo na seca do mês de agosto conseguem ser reconhecidas e dar o seu recado e mostrar a que vieram no mundo. Essas, sim, chamam minha atenção. Percorrendo as estradas esburacadas da Chapada, ao ver uma árvore verdinha, com flores branquinhas em meio tantas outras empoeiradas e desfolhadas, meu coração se renovava e mostrava para mim que sempre é tempo de florescer em meio ao cinza. Obrigada, pequizeiro. Obrigada, Chapada. Obrigada, PH.

2 comentários:

  1. Vc acredita que eu não conheço a chapada e olha que estou do lado, uma vez que sou goiano.

    Eu também tenho uma amor por pequi. Amo arvores com casca grossa e retorcidas.

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  2. Obrigado por visitar meu espaço!

    http://desvaneiossublimes.blogspot.com.br/

    http://guaranacomcanudinho.blogspot.com.br/

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