sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Cuidado com o mau humor alheio

Eu não entendo como as pessoas se acham no direito de estar na minha pele e ditar meu modo de agir. Como diz a célebre frase do autor desconhecido "Deus deu a vida para todo mundo, cada um que cuide da sua." Me bateu essa indignação por vários motivos que não relatarei aqui por julgá-los pessoais demais para um blog, mas um eu posso citar.

Lá estava eu, trabalhando obrigatoriamente como reza o meu contrato de trabalho, com a cara mais amarrada possível (não por querer, mas meus problemas não permitiam que eu me portasse de outra forma - ainda não sei fingir tão bem). Chega um cliente no meu guichê, um senhor bonachão de uns 70 anos, gordo, vermelho e sorridente.
-Você tá com dor de cabeça?
Fingi que não era comigo e continuei atendendo a demanda dele (meu serviço é técnico, com raras pitadas de relacionamento com o cliente. Resume-se 80% autenticar documentos com velocidade e atenção e 20% atender, dos quais apenas 0,3% devo ser agradável e sorridente, ou seja, um valor ínfimo).
Mas todo velhinho tem por natureza ser insistente, talvez pensem que sejamos surdos também.
-Hein, minha filha? Você tá com dor de cabeça?
-Não, senhor.
-Então por que você está com essa cara emburrada?
Fiquei surpresa com a petulância do velhinho. Todo mundo que é atendido por alguém com cara-de-bunda limita-se apenas a comentar com alguma pessoa fora: "Puxa, hoje fui atendido por uma mulher num mau humor... numa cara-de-bunda-azeda... parece que é mal amada... credo! Como que pode ter gente assim?" E pronto. Ninguém se atreve a interferir no meio, até que apareceu esse velhinho danado!
Eu não respondi nada, que foi para ratificar para ele que estava de mau humor e não queria conversa de modo algum. Ele compreendeu meu recado.
Fiquei pensando em todas as respostas possíveis para dar àquele coitado naquele momento. Meu Deus! Seria um ultraje! Talvez eu até recebesse uma advertência do chefe...
-Não, senhor, eu não estou com dor de cabeça. Estou de mal com a vida. Insatisfeita momentaneamente. Por que? Não tenho esse direito? Além do mais, não é da sua conta a minha vida. Nossa relação resume-se apenas em eu atender a sua demanda e o senhor ir embora daqui. Por ventura eu peço algum tipo de satisfação da sua vida? Fico perguntando se o senhor ganhou na Mega pra ficar sorrindo feito um pateta desse jeito? Acho que não, né? Então, pegue seus boletos e os enfie no... bolso e vá embora antes que eu fale alguma besteira para o senhor.

Moral da história: Todo mundo tem direito de não ser feliz o tempo todo. E o mínimo que podemos fazer é respeitá-lo. Se quiser, pode comentar com um colega... em outra ocasião... mas nunca afronte uma pessoa que esteja momentaneamente acabrunhada. É perigoso.

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