quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Não existimos fora das redes sociais

Já há algum tempo venho desconfiando que as relações humanas andam precárias. Ontem quis tirar a prova e fiquei triste em constatar que é verdade. Retirei a notificação do meu aniversário do Facebook e veja só a minha surpresa: apenas sete amigos se lembraram! Além deles, seis parentes, contando pai e mãe. Bem a que conclusão eu posso chegar? Ou que eu sou uma pessoa não muito querida, ou que todo mundo se apega à memória virtual das redes sociais para se lembrar das pessoas. Prefiro acreditar que seja a segunda. (carinha triste)

Não fiz festa esse ano por falta de motivação, simplesmente as pessoas não comparecem. Você as convida a passar um momento com você e elas não vêm, muitas sequer agradecem o convite. Mas quando acontece, raramente, de as pessoas conseguirem se encontrar, elas não conversam entre si. É sempre mais interessante o que está lá fora, ao alcance das redes. Compreendam que não estou julgando ninguém. Eu mesma me comporto assim. Apenas critico essa nova forma de se relacionar, em que datas de aniversário são esquecidas, ligações telefônicas passaram a ser incômodas e que visitas sem hora marcada é uma falta de educação. 

Essas coisas reforçam meu desejo de me mudar para o interior, sabe? Mas uma cidade pequenininha, em que eu possa ir a qualquer lugar de bicicleta, em que eu passe e pare na porta da casa de alguém e ele esteja sentado no banquinho debaixo da árvore sem fazer nada. Desejo me mudar para um lugar em que esse ritmo frenético e ansioso de uma capital não tenha contaminado as pessoas com seus  compromissos inadiáveis e sua falta de tempo constante. 

Outra característica que venho percebendo - lembre-se que continuo me incluindo nela - é que as pessoas não têm mais assunto entre si, ou seja, quando se encontram para conversar, não sabem sobre o que falar. Aprendemos a compartilhar fotos, vídeos, notícias, charges e perdemos nossa oralidade. O que está em voga é enviar coisas para os outros, é encaminhar. Antigamente, alguém ouvia uma história e a recontava para outra pessoa imprimindo nelas sua entonação, suas emoções, seu modo de enxergar... Hoje basta CTRL+C e depois CTRL+V. Nos trabalhos escolares ninguém lê a Barsa e copia para a folha de papel almaço, a garotada lê a primeira linha da Wikipedia e fala "é isso": copia e cola no Word. 

Confesso que essa evolução (tenho dúvidas sobre o uso dessa palavra) me deixa um pouco incomodada. Ainda sobre o fato de não termos repertório para conversas, digo que o mundo está muito exposto, talvez por isso não nos importemos tanto uns com os outros. Se estou triste, posto no Face que estou triste, se estou comendo, mostro a todos o que estou comendo, se tenho uma opinião posto um texto no meu blog. E assim, as pessoas vão ficando desinteressantes umas para as outras. A vida alheia está ao nosso alcance demais graças às redes sociais. 

Por vezes me pergunto como será a relação dos meus netos com os seus e temo que Aldous Huxley esteja certo. (carinha de espanto)

Um comentário:

  1. Ana querida, pior q é isso mesmo... mas te adoro viu! E não sou só eu!
    Não te visitei de bicicleta qdo estivesse sentada na cadeira pra fora de casa, foi só uma vez, ainda, numa festa né, mas gostei de ver vc bem instalada, feliz, com seu bonequinho e seu paizão super legal! Bjs Fernando

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