sexta-feira, 12 de abril de 2013

Nem todo palhaço tem graça

Pedro não gosta de Patati e Patatá. Não é nada pessoal. Eles são palhaços e defendem o pão-de-cada-dia deles. Mas o Pedro não gosta. Ninguém é obrigado a gostar ou achar graça de algo que para ele não é engraçado. Já percebi que ele curte as musiquinhas e só.

Na verdade, a dupla de palhaços representa para meu filho um estorvo. Acordamos de manhã, ligo a tevê e está passando um desenho super bacana... quandefé... lá vem o Patati e Patatá atrapalhar o desenho. 
- Mamãe, tira esse Pati daí! Eu quero ver deseeenhoo!!! - esbraveja meu rebento.
- Não posso, filho. Eles que mandam na televisão. Só vai começar outro desenho quando eles quiserem.
- Então, coloca o DVD! Eu quero ver desenho!
Eu, como mãe, como posso obrigá-lo a assitir aos palhaços?
Como vou dizer "Não, filho. Assista ao Patati, vai fazer bem pra vc! Quando a mamãe era pequena, não existia DVD e eu tinha de assistir o Xou da Xuxa pra depois ver os desenhos. Portanto, se conforme com o que o SBT quer para você."? 
Se não existia DVD no meu tempo, se não tínhamos opção de querer coisas diferentes quando eu era criança, isso é problema meu! Meu filho tem opções e desde pequeno já sabe escolhê-las e acredito, como mãe, que é mais salutar deixar que ele escolha sua própria programação do que eu (ou o SBT) fazer isso por ele. Chamo isso de respeito.

Por outro lado, algumas pessoas confundirão esses meus dizeres com a falta de limites. Não foi isso que eu quis dizer, amigo leitor desatento. Preciso saber o conteúdo do que meu filho assiste na tevê e acompanhá-lo de perto. O que estou defendendo aqui é a possibilidade que as crianças de hoje têm de não serem "vítimas" de vontades alheias. Se ele quer ver desenho, ele vai ver desenho. Ele não é obrigado a ver palhaços sem graça primeiro, para depois ver desenho. Entretanto, se eu (que zelo pela sua formação enquanto pessoa) entender que é melhor para ele assistir X ou Y, assim procederei.

Um comentário:

  1. Um grito de resistência contra o controle subliminar presente na frágil existência de uma criança (meu xará).
    Rosa, se eu fosse criança, votaria em ti para presidente das crianças e te seguiria até o fim!!!
    Pena que eu cresci...

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