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Atendimento

-Eu quero pegar um talão de cheques. -A conta da senhora é de pessoa física ou jurídica? -Como assim? -A conta é da senhora ou de empresa? -Mas eu não tenho empresa! -Looogo, a conta é da senhora, não? Portaaanto, é de pessoa física. Qual o número da conta? -Uai! Precisa?

Seja bem vindo, 36

Gosto de agradecer pelas pequenas coisas da vida. Principalmente as pequenas. Você já agradeceu a Deus por não ter nenhum corte no dedo hoje? Aposto que se tivesse cortado não se esqueceria de lembrar o quanto é bom quando não estamos sofrendo de mal algum. É sempre assim: eu era feliz e não sabia. Portanto, lembrei de agradecer às forças naturais por ter me emagrecido. Não que eu fosse uma obeeesa imeeensa, não! Mas eu engordei quase 15 kg com a gravidez. Meu filho nasceu com quase quatro, digamos que uns dois kilos fosse de placenta e líquido amniótico, restou, portanto, 9 kg de massa corporal não pertecente ao meu corpo, mas que insistiu em permanecer aqui por quase dois anos. Você já passou pela experiencia de tentar colocar uma calça jeans que antes lhe servia perfeitamente e ela não passar nem pelo seu quadril? Nem queira! Dá, tipo assim, um sentimento de que nunca mais você terá o seu corpo de volta e que se tornou uma aberração da natureza. Disforme, pelanquenta, cheia de estri...

Coisas de mãe, parte III

Muitas vezes ficamos dias e dias tentando descobrir a razão de certas coisas. Encontrar respostas. Questionamos Deus e o Mundo. Mas, de repente, não mais que de repente a verdade nos é revelada. Tenho de confessar a vocês que não sou esse poço de virtude quanto à maternidade que pareço ser. Tenho defeitos, como toda mãe. Entretanto, na maioria das vezes faço o melhor que posso. Onde eu quero chegar com isso? Por mais de três anos eu tenho me martirizado dizendo "por que aconteceu isso justamente comigo?", "por que eu tenho de criar essa criança sozinha, sendo que não a fiz sozinha?", "por que eu não coloquei aquela bendita camisinha, Deus? A minha vida estaria tão diferente hoje...". E ontem à noite veio-me a grande revelação. A resposta para essas e outras tantas perguntas que sempre me fiz desde que engravidei veio quando meu filho proferiu três palavrinhas: Pêdo ama voxê. E ele não disse isso em troca de nada! Estávamos assistindo a um filme juntos na ...

100% libriana, mano! (soquinho no peito e V)

Dias atrás umas amigas e eu conversávamos sobre horóscopo. É massa demais! Eu não sei se realmente somos como ele diz que somos, ou se nos moldamos dentro dele ressaltando as qualidades e os defeitos que diz que temos. Só sei que acho fantástico! Daí falamos dos ascendentes. E percebi que nunca tinha feito a pesquisa de qual era o meu ascendente. Pirem: sou Libra com ascendente em... Libra! 100% libriana! Vou fazer uma camiseta com esses dizeres. Eu sou tipo um puro-sangue. As minhas características librianas não foram maculadas por nenhum dos outros onze signos do zodíaco. Nada desse negócio de ficar misturando signos, não! Aqui tem pedigree, cara! Essa pobre libriana que vos fala não consegue se decidir. É indecisa até na hora de colocar comida no prato. Acho que deveríamos ter vários personal : personal trainer, personal stylist, personal dieter, personal drinker, personal friender, personal dater... Aí sim a vida seria menos complicada para mim. Eu teria assessores que me ajudariam...

Cada um cuida da sua

Eu já trabalhei com cobrança no banco e sei que cobrar é chato. Entretanto, para quem está do outro lado é muito pior. O fato é que somos cobrados o tempo todo. Pela família, pelos amigos, pelo trabalho, pela sociedade, por si mesmo... A sociedade tem poder de exercer uma pressão velada nas pessoas, que se o neguim não for muito confiante em si, ele surta. Por exemplo, quando somos crianças todos nos perguntam o que vamos ser quando crescer. Por que a criança deve ter noção de algo que ainda está tão distante dela? É exigir muito querer que ela te responda qual será a profissão dela dali a vinte anos. E, se porventura, ao longo desse período a criança mudar de ideia, não faltarão pessoas para dizer "ué, mas você não disse que queria ser médico?" Disse, caramba! Há quinze anos atrás! Não tenho o direito de mudar de opinião? Daí, quando alguém está namorando, logo começam a perguntar quando será o casório. Ô perguntinha chata! Então, quando finalmente se casam, cedendo às press...

Menina-fel

Um dos meus grandes defeitos é ser uma pessoa muito fechada. Quem me conhece pode até rir disso, porque depois que tenho intimidade sou muito expansiva, mas até conquistá-la... sou séria e sem graça. Já tentei ser um pouco mais agradável, doce e meiga até, assim... para não transmitir uma impressão tão ruim para as pessoas à primeira vista, mas não consigo! Não vejo motivos para ser extasiante com um desconhecido. Não tenho motivação para sorrir para quem não conheço. É por esse mesmo motivo que não adiciono todo mundo que eu conheço no facebook e não tenho amigos a rodo. Prefiro ter poucos amigos e terem certeza que são de confiança. Deve ser por isso que também não namoro muito. Não vejo sentido em ficar experimentando um e outro como se faz numa loja de sapatos. Aliás, nem sapatos eu experimento muito. Acho que tudo isso que escrevi acima tem a ver com concisão e restrição. É isso! Eu sou uma pessoa concisa e restrita. Sem muito trê-lê-lê, plumas, paetês ou caixinha de fósforo. Isso...

Vem pra Caixa, vem!

Esse texto é para ajudar (ou não) quem está em dúvida se deve fazer o concurso para a CEF. Muitos amigos me questionam se é uma boa e eu sempre respondo “É um excelente começo.” Estou na Caixa há seis anos e graças a ela (e ao meu esforço, obviamente) consegui me estabilizar financeiramente e hoje não dependo mais dos meus pais. Vou começar a falar das qualidades que a empresa nos oferece. É uma empresa ótima (sem rasgação de seda, tá?). Tem muitos programas que acho que não encontramos em qualquer outro lugar. Primeiramente trata-se de uma empresa cem por cento pública, ou seja, não tem capital privado nela pra dar pitaco nas decisões. O Banco do Brasil e a Petrobrás são empresas de economia mista, por exemplo, e algumas decisões têm de passar pelo crivo dos acionistas também. Apesar de ela ser uma empresa pública, nós não somos servidores e, sim, empregados. Ou seja, somos regidos pela CLT, temos FGTS e não gozamos de estabilidade (apesar que não há notícias de ninguém que tenh...

Kolynos

Educar filhos é difícil, muito difícil mesmo! Parece que as chances de errar são maiores do que as de acertar. Se somos muito rigorosas o filho pode se revoltar quando crescer, se somos muito "relaxadas" deturpamos a moral dele. Dosar na criação dos filhos é uma das partes mais difíceis da maternidade, principalmente para as mães solteiras. Para as pessoas que estão de fora, ou seja, não comem o feijão feito na minha panela, é tudo mais simples. Nos dizer o que temos (ou não) de fazer é algo facílimo. Vai carregar nove meses, parir e criar pra ver! Vai! Dona Maria semana passada me disse que não devo deixar o Pedro assistir aos desenhos da Disney, porque o pastor da igreja dela falou que é o inferno entrando pela televisão na vida dos nossos filhos. Ah, faça-me o favor! Inferno! Inferno! Quer inferno maior do que você não poder ser dono da sua própria vida? Inferno é viver sob o domínio alheio. Pra que se preocupar com a vida após a morte, se não se pode viver a própria vida ...

Velha infância

Neste feriado estive na minha cidade natal. Visitei os parentes e me deparei com uma dura (mas muito dura mesmo!) realidade: estou envelhecendo. Passar pelas ruas onde cresci, os lugares onde frequentei, rever as pessoas com quem convivi, tudo isso gera muito saudosismo e uma pitadinha de melancolia. É triste ver que as ruas por onde eu passava quando voltava da escola estão todas esburacadas (demonstrando o total descaso da administração pública com a MINHA cidade). É triste perceber que as pessoas dali estão decepcionados com os políticos, com a saúde, com o lazer... É triste saber que nada daquilo me pertence mais. Mas por outro lado, é bom também. É bom saber que todas as experiências, apesar de serem marcantes em nossas vidas, elas têm um prazo de validade. Nada dura pra sempre, a menos que seja cultivado. E eu deixei que as ervas daninhas do meu coração tomassem conta do sentimento que eu nutria pela minha cidade. O lado bom de entrar em contato com o passado é perceber que na ma...

17/02/2007

Someone like you Adele

Partida

Hoje eu joguei fora a sua escova de dentes. Você não vai mais voltar.

Estatística

Amigos casadoiros têm chamado minha atenção ultimamente. Com o tempo, nós, não casadoiras, vamos nos tornando um pouco deslocadas do contexto, principalmente quando temos um filho e eles (os amigos) não. Prova disso é que comecei a fazer a lista de uma festa (não se desespere se ainda não foi convidado, seu convite certamente chegará até o final do ano). E percebi que na maioria dos meus convidados eu colocava um +1 na frente. Ou seja, quase todos já estão a beira dos 30 e quase todos estão com seus devidos parezinhos. Não, eu não estou em meio a uma crise de solteirice. Muito pelo contrário, estou bem até. Essa semana vi a Marília Gabriela sendo entrevistada pela Hebe e ela disse que não está com ninguém agora, porque namorar dá muito trabalho. E dá mesmo! Ela disse que está numa fase que quer curtir o netinho e acha muito dispendioso dividir a atenção entre um parceiro e o neto. São palavras dela! Mas a compreendo. Enfim, mexendo aqui nos meus guardados encontrei algo que me fez lemb...

Coisas de mãe, parte II

Uma das vantagens de ter sido mãe é que finalmente parei de ouvir a célebre frase "Quando você for mãe, você vai saber..." ou "Deixa quando você tiver os seus filhos..." ou "Só quem é mãe que sabe." Há três anos não ouço nenhuma delas e é reconfortante. Sim. Agora posso compreender tudo que minha mãe dizia. É verdade. Mas é verdade também que ficar ouvindo aquilo o tempo todo irritava um pouco. Dá vontade de dizer "Tá... Tá... Eu já sei...", mas eu não podia! Senão ela diria "Quando você for mãe você vai ver o quanto essas más criações doem." e pronto, tava instalado o drama. Se tem uma coisas que nós (mães) sabemos fazer é drama. Confesso que eu achava isso uma artimanha desprezível, mas hoje ela passou de desprezível para extremamente eficaz. Basta o menino fazer algo que eu não quero ou não gosto que já vou logo pondo a mão no rosto e forjando um choro! Nem preciso chorar. Ele, esperto como é, já entendeu que se iniciou a sessão dram...

Homens de All Star

Imagem
All Stars me comovem. Gosto de pessoas que usam esse tipo de tênis. É uma sensação empática, sabe? Tipo um símbolo tribal, daqueles que você vê em outras pessoas e reconhece de onde ela vem, do que ela gosta e o que ela realmente é. Tá certo. Eu fui longe demais. Um simples tênis não revela tanto assim sobre uma pessoa, mas que é uma identidade, ah, isso é. Esses dias eu vi uma adolescente que usava os restos mortai de seu All Star como se fosse algo extremamente importante e fundamentado. E garanto que naquela performática mente juvenil o tênis (ou o que sobrou dele) representava algo realmente importante e fundamentado. Caso contrário, quem se dignaria a usar um calçado aberto na lateral, quase sem sola e com os cadarços imundos? Questão de ideário. Quem usa All Star tem um quê de diferente, tem um balacobaco, um parangolé, saca? Já vi muitos velhinhos usando esse tênis. Daí eu me pergunto por que eles usam camisa de manga curta e All Star em vez de sapatos de verniz e suspensórios? ...

Bancariterapeuta

Essa semana recebi um texto de um amigo que tem feito com que eu reflita sobre algumas coisas. Primeiro tenho de confessar que sou adepta da terapia, mas não sei se por um acaso do destino ou o quê, as minhas três últimas psicólogas me abandonaram (problemas com o convênio). Daí, resolvi, eu mesma me teurapeutizar. Eu mesma me pergunto as coisas. Eu mesma me respondo... e por aí vai. É meio chato, é verdade, contudo, não quero correr o risco de ser abandonada por uma quarta terapeuta. Chegaria a um ponto em que eu faria terapia por conta do abandono sofrido pelas mesmas... não daria certo... não mesmo! Pois bem, voltando ao texto do meu amigo, ele dizia que precisamos sair do status quo e criar coragem para alçar novos vôos. Que não há como ir para um cômodo da casa sem antes atravessar a porta. E meu carma tem sido esse ultimamente: atravessar a porta. Parece que quando eu a atravesso, vem alguém que puxa o tapete sob os meus pés e me coloca no cômodo anterior novamente. É bom quando...

Volta!

Esse blog tá ficando chato, sabia? (Antes que você diga que ele sempre o foi, já vou dizendo que o xizinho vermelho no canto superior direito da tela é serventia da casa, viu, senhor Leandro Chatonildo Arantes! cujas publicações insolentes faço questão de não publicar.) Porque estou numa fase intrínseca cujos os pensamentos são perigosos demais para postá-los aqui. Quero que volte a minha fase escrachada e fanfarrona. Se alguém a encontrá-la perdida em algum lugar, diga a ela para voltar pra casa. Estou com saudade de tirar um sarro das coisas... Mas anda tão complicado! Tudo está ficando politicamente incorreto: não posso falar de crianças feias, não posso falar de pessoas próximas a mim, não posso falar dos meus chefes, nem dos meus amores... Tá foda, viu?!

Coisas de mãe

Não é a primeira vez que recorro aos Poupançudos nesse blog. São criaturinhas feias e desengonçadas, mas que caíram no gosto das crianças (e também de alguns adultos). E eu, na função de caixa, sinto-me como alguém que possibilita às pessoas terem um desses monstrinhos marketeiros . A cada depósito de R$ 200,00 por dia, ganha-se um. É minha obrigação também ajudar a "fiscalizar" para que os brindezinhos horrendos não sejam todos levados de uma vez. -Quero fazer cinco depósitos de R$ 200, 00 nessa conta. -É pra ganhar Poupançudo , senhor? -É. -Não pode. -Não pode, por quê? -Porque são as regras da promoção, senhor. Eu não posso permitir que o senhor leve cinco Poupançudos de uma vez. Com isso estaríamos deixando de prestigiar outros quatro clientes, por exemplo. Mas confesso que eu mesma já quebrei a regra uma vez. Era uma senhora simples, que falou comigo em tom humilde a seguinte conversa: -Moça, meu filho tá colecionando os Poupançudos e só falta um. Só que eu não ...

O aprendizado, segundo Willian

Todo mundo tem coisas de estimação. Aquilo que guarda e não abre mão de jeito nenhum. Eu tenho um texto de estimação. É praticamente um mantra. E toda vez que o leio descubro algo diferente que me toca lá no fundo da alma. Compartilhá-lo-ei com vocês: " Depois de algum tempo, você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo. E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas ...

O leão

Um leão em sua jaula. Minha uma ova! Na jaula onde me colocaram, porque meu mesmo é todo aquele espaço da savana africana. Ali é o meu império. É ali que me sinto a vontade. Fizeram a jaula para me dominar, prender meus sonhos de correr pelos campos, tolher-me em cada gesto, em cada atitude. Meu amo faz aquele tenebroso barulho com o - também tenebroso - chicote. Shhiiitaaac! Shhhiiitaaac! Ai, como eu gostaria de ouvir apenas o barulho da palhada secando e se contorcento sob o sol tórrido da terra dos meus antepassados. Este senhor de roupa preta e cartola me faz parecer patético. Subo e desço de banquinhos, passo por entre argolas de fogo, rujo sem estar com vontade... Não gosto disso. [suspiro] Esse humanos incovenientes me olham como se eu fosse muito assustador, como se representasse algum perigo, como se não fosse apenas esse leão velho e decadente de circo que sou e que a qualquer momento será executado pelos seus donos. É isso. Leão velho e decadente de circo... é o que sou.

Cuidado com o mau humor alheio

Eu não entendo como as pessoas se acham no direito de estar na minha pele e ditar meu modo de agir. Como diz a célebre frase do autor desconhecido "Deus deu a vida para todo mundo, cada um que cuide da sua." Me bateu essa indignação por vários motivos que não relatarei aqui por julgá-los pessoais demais para um blog, mas um eu posso citar. Lá estava eu, trabalhando obrigatoriamente como reza o meu contrato de trabalho, com a cara mais amarrada possível (não por querer, mas meus problemas não permitiam que eu me portasse de outra forma - ainda não sei fingir tão bem). Chega um cliente no meu guichê, um senhor bonachão de uns 70 anos, gordo, vermelho e sorridente. -Você tá com dor de cabeça? Fingi que não era comigo e continuei atendendo a demanda dele (meu serviço é técnico, com raras pitadas de relacionamento com o cliente. Resume-se 80% autenticar documentos com velocidade e atenção e 20% atender, dos quais apenas 0,3% devo ser agradável e sorridente, ou seja, um valor ínfim...