A despeito do post anterior senti a necessidade de responder a dois comentários. Primeiramente, o Biotônico era o inverso do Emulsão Scott. Enquanto este tem um desprezível gosto de óleo de fígado de bacalhau, aquele tinha gosto de pinga. Sim, o Biotônico, assim como o Sadol, era para nós crianças, o que a cachaça era para o Mussum, ou seja, o "mé"! Era uma delícia! Aquele gostinho que ficava na boca... hummm... não tava nem aí se tava tomando ferro (não literalmente, pelo amor de Deus!), eu queria era beber. Tomava uma colher de sopa antes das refeições e, às vezes, uma gole escondido. O segundo comentário versa a respeito de fazerem um Biotônico Ice. Até imaginei... Jesus! Com duas pedrinhas de gelo e umas folhinhas de hortelã... a deficiência de ferro já era! Mas o assunto Biotônico me faz lembrar de uma parte trash da minha infância. Aos dez anos eu tive reumatismo no sangue. Tomava várias Benzetacis por mês - e quem já tomou sabe que não há injeção pior no mundo. Até aí ...
Na loja de calçados: -Boa noite. Posso ajudar? -Sim. Eu quero um sapatênis desse aqui, nº42. -É pra presente? -Não. É pra mim! Olha pra mim! Tenho cara de quem calça sapatênis 42? No O Boticário: -Boa noite. Eu quero uma loção pós-barba. -É pra presente? -Não. Pra mim mesmo! Tô pensando em deixar só o cavanhaque, sabe? Na lanchonete: -Bom dia. Arruma oito pães de queijo pra mim, por favor? -Vai comer aqui ou vai levar? -Vou comer aqui. Oito pães de queijo! Qualquer pessoa come oito pães de queijo sozinha no café! No rádio: -A grande maioria da população não aguenta mais tanto descaso..., diz o locutor. -E a pequena maioria, onde fica? Sim, porque existe maioria grande e maioria pequena! No trabalho: -Bom dia! Bom trabalho! -Ou é bom, ou é trabalho. Se trabalho fosse bom, não nos pagariam para fazê-lo. No restaurante, almoçando com uma amiga: -Uma porção de Ribs For Two, por favor. -É pra trazer dois pratos? -Não. Somos duas pessoas, o prato se chama Ribs FOR ...
Ainda sobre material escolar, gostaria de compartilhar com vocês mais um recorte da minha infância pobre. Antes de começar, quero esclarecer que quando conto episódios tais como o de hoje, a intenção não é outra senão demonstrar a vocês o quanto sou grata pela educação que tive. Fui criada com muito pouco e, por isso, hoje sei valorizar tudo que tenho. Pois bem, a passagem da qual me recordei enquanto encapava os livros do meu pequeno é que quando eu comecei a estudar, ganhávamos do Governo um caderninho, um lápis e uma borracha. O caderninho era pequeno e de capa mole, com o Hino Nacional na contra-capa. Mas para nós, era o máximo ganhar um caderno, um mimo. Fazíamos margem nele com caneta vermelha e o encapávamos. Aí que entra a parte mais bacana. O senhor, nobre leitor, acha que nós - estudantes de escola pública, no início dos anos 90, leia-se início da Era Collor - dispúnhamos de quaisquer recursos para comprar plástico para encapar livros e cadernos? Chegava ser heresia...
Engraçado que na quadrilha do Drummond ninguém acaba preso...
ResponderExcluirNão no sentido literal, Erre Ponto. Mas temos tantos tipos de prisões na vida, que difícil é encontrar alguém completamente liberto.
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