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Antes só do que mal gramaticada

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Conversava hoje com uma amiga e trocávamos situações bizarras de redes sociais envolvendo rapazes. Uhum, rapazes, falamos, sim, sobre vocês... Às vezes, bem... mas na maioria delas, falamos mal mesmo. Nos queixamos do quanto vocês andam acomodados, de que não se fazem mais homens como antigamente e da forma como vêm tratando as mulheres. Mas esse assunto fica para outra hora. As redes sociais nos aproximam em alguns aspectos e nos distanciam em outros. Por exemplo, quando leio um erro grotesco de português dou um salto para trás - literalmente. E olha que são muito frequentes! Antigamente as pessoas se casavam sem saber como o outro escrevia. Hoje a nossa ortografia é nosso cartão de visita.  Um " o que tá fazendo de bom ", ou aquele "mim" antes do verbo, ou vírgulas engolidas - interrogações eu até relevo, pois eu mesmo engulo algumas... São coisinhas que me deixam levemente descrente em uma conversa. Mas há situações mais radicais: e ai gata vc sumiu...

Idiota no trânsito (e em qualquer lugar)

Frequentemente me sinto uma idiota no trânsito . Mas hoje quero falar das vezes que passo por idiota ao volante, simplesmente por me deixar levar pelos meus impulsos. Impulsos esses que já me fizeram fazer muita besteira na vida.   (Nota mental: aprender a lidar com impulsos.) A situação que me constrange mais no trânsito é quando alguém está dirigindo pachorrentamente à minha frente, como se o dia dele tivesse mais horas que o meu, e que, em algumas situações, eu pisco o farol para ele sair da minha frente, ou acelero forte meio que para dizer "se você não tem pressa, eu tenho". Daí, acontece que ultrapasso o tal carro lerdo, olho com cara de poucos amigos para o motorista - um bossal que não está nem ligando para a opinião alheia - e sigo adiante... acelerando envenenadamente... até que... surge um semáforo fechado. Putz! O bossal em seu carro bossal para ao meu lado.  De que adiantou tanta energia gasta, tanto esbravejamento, tantos pensamentos ruins? Sou mesmo um...

Ente, pra quê te quero?

Um colega meu sempre dizia que tudo que termina em ente é ruim ou dá trabalho. Aí começava: gerente, cliente, parente... Entusiasmada com o seu bom humor, eu continuava a lista: paciente, demente, dor de dente, serpente, reincidente, absorvente, doente, cadente, oponente... Sabemos que há inúmeras palavras que caracterizariam essa regra. Todavia, hoje vim falar de uma em especial: crente. Perdoem-me meus amigos evangélicos, vocês sabem que eu os amo demais, mas há uns tipos de crente que têm o dom. O dom de ser inconveniente. É preciso falar de Jesus? Sim, é! Ele está voltando? Sim, está! Só que eu peço uma coisa, uma coisinha só, bem pititiquinha... Não me evangelize domingo à tarde depois do almoço. (suspiro) Domingo é aquele dia preguiçoso, né? Em que deixamos o ócio tomar conta de nós. Ao menos, eu não me sinto obrigada a ser produtiva no domingo. Pois bem. Meu filho e eu saímos para almoçar. Comi como uma clériga, tomei minha cervejinha, um docinho pra rebater e zarpamos ...

Good job, girl!

Sabe aqueles desenhos animados em que a personagem anda por uma estrada com dezenas de placas dizendo "não vá por aí"? Tipo, cuidado, rua sem saída, volte, eu avisei... E mesmo assim a personagem insiste em ir. Costumo dizer que é o antagonismo que move os desenhos animados, eles são permeados de coisas e situações ilógicas. Senti-me assim hoje por um breve momento. Permita-me um breve retrospecto. Desde criança tive aptidão para a escrita, gostava de ler e inventar histórias. Quando eu era adolescente tinha muita facilidade para falar em público e apresentar pecinhas teatrais na escola. Pedi um violão de presente de 15 anos. Sempre manuseei qualquer tipo de ferramenta com destreza. Enfim, ao longo desses 29 anos tratei de aprender de tudo um pouco - dentro do que me interessa, é claro, porque sou uma negação em moda, por exemplo. E, assim, fui me tornando uma generalista. Essas pessoas que sabem de tudo um pouco e não se especializam em nada - e me sinto confortável em ...

Meu adorável Dono de Estabelecimento Comercial

Quando Deus me projetou ele devia estar muito bem-humorado e pensou "Vou experimentar algo diferente hoje, vou fazer uma pessoa meio fora dos padrões pra ver no que dá." E eis que eu vim ao mundo: com cabelo liso e ideias enroladas dentro da cabeça. Hoje quero falar de uma, entre muitas coisas, que acho linda. Já falei da minha queda por homens de All Star e de ternos esvoaçantes em motocicletas, mas essa semana me dei conta de uma outra coisa que também sempre me chamou a atenção, entretanto nunca havia lhe dado o devido valor. Trata-se nada mais, nada menos que Donos de Estabelecimentos Comerciais. Quando adentramos em uma loja, normalmente somos atendidos por vendedores descompromissados, sem motivação e que, consequentemente, me fazem sair da loja menos interessada em determinado produto do que quando entrei. Todavia, às vezes, tenho a tremenda sorte de ser atendida por quem realmente entende do assunto e que quer (muito) que eu compre aquele produto. Por exemplo, ...

Uva páscoa

Certa vez um colega me disse que não temos consciência da educação que damos aos nossos filhos até que alguém nos dê um feedback, do tipo, "nossa! seu filho é tão educado!". Hoje escrevo o texto para discordar do meu amigo. Sim, eu tenho noção da educação que tenho dado ao meu filho. Olha, é uma árdua tarefa de repetição, viu? Falar todos os dias a mesma coisa, a mesma coisa, a mesma coisa... Mas uma hora, quase que por um passe de mágica, você para de repetir aquilo com o passar dos dias. -Filho, coloque o copo sobre a pia. -Filho, onde você colocou o copo? -Filho, por que esse copo está no sofá? -Pedro, pegue esse copo e o coloque na pia agora! -Filho... Ops! Não... nada não... - esse é o momento em que eu vejo que o copo está na pia. Por essas e por outras eu ainda tenho esperança nos homens. Não há nada que a paciência e a perseverança não possa mudar. Outra situação lindíssima em que eu pude me ver refletida e contemplei parte da minha obra-prima inacabada...

Isso também passa

  Isso também passa...

Se a vida lhe der limões...

O prático - Faço uma limonada. O revoltado - Enfia esses limões no seu cu. O agradecido - Ó, puxa! Limões! Eu adoro limões! Obrigada! O humilde - Não precisava... Que lindos limões... O conformado - Ok. Dê-me cá os limões. O inconformado - Eu não queria limões! Nunca pedi limões! Queria mesmo era laranja-lima! Mas se por acaso a vida resolve lhe tomar os limões de volta: O prático - Já fiz a limonada e já bebi. O revoltado - Não precisa levar tão a sério o que eu disse... O agradecido - Ah, mas eu havia me apegado tanto a eles... O humilde - Certamente eles estarão melhor com você. O conformado - Tudo bem, pode levar os limões. O inconformado - Agora que me acostumei a ter limões, vem você e os toma de mim?! Ah, vá! (Post em construção...)

Lições da escola

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Ainda sobre material escolar, gostaria de compartilhar com vocês mais um recorte da minha infância pobre. Antes de começar, quero esclarecer que quando conto episódios tais como o de hoje, a intenção não é outra senão demonstrar a vocês o quanto sou grata pela educação que tive. Fui criada com muito pouco e, por isso, hoje sei valorizar tudo que tenho. Pois bem, a passagem da qual me recordei enquanto encapava os livros do meu pequeno é que quando eu comecei a estudar, ganhávamos do Governo um caderninho, um lápis e uma borracha. O caderninho era pequeno e de capa mole, com o  Hino Nacional na contra-capa. Mas para nós, era o máximo ganhar um caderno, um mimo. Fazíamos margem nele com caneta vermelha e o encapávamos. Aí que entra a parte mais bacana. O senhor, nobre leitor, acha que nós - estudantes de escola pública, no início dos anos 90, leia-se início da Era Collor - dispúnhamos de quaisquer recursos para comprar plástico para encapar livros e cadernos? Chegava ser heresia...

Ajustando as margens

Neste exato momento em que escrevo esse texto, minha impressora está a imprimir as margens no caderno de desenho do meu filho. Sim. Ano passado tive a brilhante ideia de desencadernar o caderno e imprimir as margens nas folhas, em vez de ficar fazendo traços com caneta e régua. Fico ligeiramente orgulhosa de mim com esse arranjo produtivo, todavia nem tudo são flores no mundo das ideias (e em outros mundos também). Tive de fazer 12 experimentos até chegar ao resultado em que eu pretendia, entre espessura, cor, alinhamento e distância. Fiquei nervosa, gritei com o computador, gritei com o Pedro, quis largar tudo e fazer à mão. Mas, em vez disso, fui na cozinha e tomei um copo d'água... três respirações profundas e voilá! A resposta para o que não estava dando certo apareceu! E nesse instante, as folhas estão sendo impressas com uma velocidade que eu seria incapaz de riscar manualmente. O bom de envelhecer é tirar lições, sabia? Hoje, tudo que vivencio consigo extrair da sit...

Por mais prosa em 2015

Oi, blog! É bom estar de volta, mesmo que seja só de passagem, para lhe desejar um Feliz Ano Novo. Por falar em ano novo, neste que passou aconteceu algo esquisito, ou melhor, tudo que aconteceu foi esquisito... Acho que por conta disso, não trouxe expectativas para 2015, não fiz as minhas tradições de fim de ano, meus planejamentos, não fiz absolutamente nada! A virada mesmo tentei passar dormindo, mas meu vizinho e seu som estúpido não permitiram. Águas passadas. Blog, não lhe prometo nada para 2015. Não prometo que escreverei mais textos, que lerei mais livros e nem que serei uma pessoa melhor. Entretanto, tenho uma torcida para esse ano que se inicia. Torço que as pessoas sejam mais presentes umas nas vidas das outras, torço para que elas tenham menos ocupações e mais tempo para o ócio, torço para que elas voltem a ter assunto e conversar entre si, torço para um bug no Whatsapp. Além da parte financeira, que nunca esteve tão mal desde que eu administro minhas própria...

Sobre sumatras e homens

Quando meu filho ganhou um dinheiro da avó paterna para adquirir um aquário, confesso que não fiquei muito animada. Mas à medida que fui comprando as coisas e os peixinhos fui me empolgando com a ideia. É legal ouvir o barulho da água caindo da cascatinha ininterruptamente, digo até que é terapêutico. Também gosto de ficar olhando o comportamento dos peixinhos. Confesso que os comparo com pessoas conhecidas: têm aqueles mais bobinhos, os mais agressivos, aqueles que ficam “na dele”, os que só querem saber de comer... Entretanto, há um que me chama mais a atenção e é sobre ele que quero falar hoje. O sumatra. Não vou perder tempo aqui pesquisando e transcrevendo a sua espécie, características biológicas e físicas, tampouco vou mostrar uma foto dele. Quero apenas descrever o seu comportamento e o que tenho vivido com ele. Digo ele, mas na verdade, são eles, no plural. Vou nominá-los para que você, amigo leitor, não se perca em minha narrativa. No começo comprei Ichi...

Não existimos fora das redes sociais

Já há algum tempo venho desconfiando que as relações humanas andam precárias. Ontem quis tirar a prova e fiquei triste em constatar que é verdade. Retirei a notificação do meu aniversário do Facebook e veja só a minha surpresa: apenas sete amigos se lembraram! Além deles, seis parentes, contando pai e mãe. Bem a que conclusão eu posso chegar? Ou que eu sou uma pessoa não muito querida, ou que todo mundo se apega à memória virtual das redes sociais para se lembrar das pessoas. Prefiro acreditar que seja a segunda. (carinha triste) Não fiz festa esse ano por falta de motivação, simplesmente as pessoas não comparecem. Você as convida a passar um momento com você e elas não vêm, muitas sequer agradecem o convite. Mas quando acontece, raramente, de as pessoas conseguirem se encontrar, elas não conversam entre si. É sempre mais interessante o que está lá fora, ao alcance das redes. Compreendam que não estou julgando ninguém. Eu mesma me comporto assim. Apenas critico essa nova forma de ...

Insanidade level hard

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Eu tenho uma quedinha por surtos. Sou o tipo de pessoa que aguenta muita coisa calada e, talvez por isso, sonho com meus dias de fúria. Agora mesmo estava revendo a cena desse filme aqui,só para, por catarse, me sentir vingada. No geral não sou vingativa, entretanto, às vezes, tenho vontade de fazer maldades insanas. Daquelas maldades tipo cortar a cueca que chegou suja de batom e aproveitar que já estou com a tesoura na mão e picotar as mangas das camisas, as camisetas de marca, as calças, bermudas, meias, gravatas... tudo! Deixá-lo com uma mão na frente e outra atrás... e, se algo mais aparecer sujo de batom, também vai para o espaço, seja o pescoço, o peito ou o pinto.  Outra situação hipotética em que traço todo um roteiro de descarga emocional vingativa é quando alguém fecha meu carro no estacionamento. Por duas vezes deixei recadinhos escritos com batom no vidro do carro depois de manobrar meu carro zilhões de vezes até conseguir tirá-lo do local. Recados leves do...

Clarissa - Epílogo

" Querido Antonio, Quatro longas semanas se passaram desde que vim embora. Sua presença foi muito marcante em meus dias e ainda tenho a impressão de ouvir sua voz quando ando pelas ruas. Aqui no Brasil tudo permaneceu como eu deixei e a sensação que tenho é que o tempo parou quando parti. Enfim, sensações... Ontem fui visitar uma amiga, a Ana Paula, aquela jornalista que lhe falei, lembra? Que também é fotógrafa e tem um blog de crônicas. Ela tem um filhinho adorável e agora, por hobby, dedica horas do seus dias a cultivar plantinhas no seu quintal. Na nossa conversa ela me contou sobre sua experiência em plantar girassóis. Comprou as sementes, fez covas rasas, plantou-as com a ajuda do Pedrinho e esperou para ver suas lindas flores amarelas nascerem. Mas elas não nasceram. Quando foi verificar o que havia se sucedido, percebeu que os pássaros descobriram a farta comida guardada debaixo de uma fina camada de terra e comeram todas as sementes. Contudo, minha amiga não ...

Clarissa - Capítulo V: O Reencontro

Na semana em que completara 30 anos, Clarissa se deu um presente especial. Diante de tantas mudanças no visual e nas atitudes, sentiu a necessidade de mudar de ares. Resolveu ir para a Europa. Sua escola de francês tinha um programa de intercâmbio interessante e resolveu se inscrever para uma temporada de seis meses. Fez aqueles acordos trabalhistas escusos para pegar o FGTS e Seguro Desemprego e tratou de tirar seu passaporte. No dia da entrevista na Polícia Federal, quando a pessoa lhe perguntou por que estava indo para a Europa, sentiu o chão abrindo sob os seus pés e quis responder “Porque preciso disso. Porque preciso me reencontrar, sabe? Tive uma paixão não correspondida que me deixou muito entristecida e por causa dela sofri um acidente e por causa dela estou descobrindo coisas maravilhosas. E agora, senti que era hora de descobrir coisas maravilhosas fora do Brasil, por isso quero ir para a Europa.”  Todavia, na mesma velocidade em que o chão se abriu, ele se fechou e ela...

Clarissa - Capítulo IV: O Desgosto

Clavícula e costelas quebradas, Clarissa agora passava seus dias a assistir tevê. Lembrava-se apenas de alguns relances do acidente, nada conexo. Dias arrastados. Já não eram de muita emoção há tempos, mas agora, com sua mãe instalada dentro da sua casa para os cuidados necessários, a rotina tornou-se algo quase insuportável. Por um milésimo de segundo sentiu vontade de estar no balcão da farmácia... mas a vontade foi tão efêmera que voltou a se entreter com o seriado na tevê. E foi assim por dias, semanas e semanas. Alguns amigos mandavam mensagens de ânimo pelo Facebook ou pelo Whatsapp. Alguns poucos foram visitá-la em casa. Mas o que contribuiu de fato para o aumento da tristeza em seus dias acinzentados é que ele - por quem saíra de casa aquela noite, a razão de ter batido o carro, o homem para quem se declararia - não se importou com o estado dela. Ele não mandou mensagem no Facebook, nem no Whatsapp e nem foi vê-la. A hipótese de que ele não soube do acidente foi afastada, ...

Clarissa - Capítulo III: A Decisão

Não conseguia ver um palmo diante do seu nariz. Muita fumaça, muita mesmo. O vidro tornara-se uma parede fosca esbranquiçada. Assim era o banho de Clarissa. Habituada sempre a estar anuviada em pensamentos, as nuvens da fumaça quente do banheiro não a incomodavam nem um pouco. Pelo contrário, todo aquele mormaço causava-lhe um tremendo bem-estar. Sentia-se rodeada, abraçada e aquecida, tanto pelo vapor, quanto pela água quente caindo sobre seus ombros. Água quente esta que a fazia relaxar e entrar ainda mais em contato consigo. Naqueles instantes, passava o sabonete por todo o corpo e sentia-se... cada curva... se permitia tocar a sua pele e ter sensações e se conhecer... Escutava o barulho da água caindo e se permitia fazer uma viagem em seu infinito particular. Após o banho, uma inquietude tomou conta do seu coração. Um daqueles sentimentos que nos incomodam a todo momento e não nos deixam enquanto não lhe estancamos a origem. Ela precisava falar com ele. Era muita coisa represa...

Clarissa - Capítulo II: O Arrependimento

Permaneceu no sofá por mais de uma hora, entre devaneios e saudades. Até que foi interrompida por uma dor forte, daquelas que são acometidas as pessoas que não comem há mais de cinco horas. De fato, deveria estar com fome. As quatro bolachinhas Mabel e o café do lanche há muito haviam virado quimo. Ai o café... Clarissa tem gastrite. Como um bichinho de estimação ela começou a se desenvolver por conta de um relacionamento mal sucedido há uns oito anos. Acordava, pensava nele e o estômago doía. Saia correndo para o banheiro para vomitar, mas nada saía além de um líquido amarelo e amargo... tão amarga quanto a sensação de pensar naquela relação que estava vivendo. Lembrou-se daqueles dias e se arrependeu. Por instantes, se perguntou como pôde levar por tanto tempo algo que lhe fazia tão mal? Levantou-se e foi para a cozinha preparar algo para comer. Podia fazer um bolo... mas sempre ficavam recobertos de mofo após o terceiro dia, pois não havia ninguém para comer com ela. Por isso C...

Clarissa - Capítulo I: A Saudade

Clarissa chegou em casa mais pensativa do que o normal. Pensa muito, conclui demais... até mais do que deveria. Quisera Clarissa pensasse menos, concluísse menos, talvez tudo fosse mais claro. Mas ela tem melhorado. Tem se permitido sentir mais. Sentir a terra, sentir o vento, sentir o coração... Coração este que sempre revela tantas surpresas. Abriu a porta e ligou a lâmpada, encostou-se no portal e depois a apagou, ligou novamente e tornou a apagar, outra vez e outra vez... e o olhar parado fitava um móvel qualquer da sala. Resolveu deixá-la ligada. A luz lhe fazia bem. Hoje, ao chegar em casa tão pensativa, se jogou no sofá: pés para cima, mãos cruzadas atrás da cabeça. Fez um backup do seu dia, guardou as sensações boas, tirou as devidas lições das ruins e, como um astronauta solto no espaço, começou a pensar... Sentia saudade dele. Do toque, das mãos no seu cabelo, do peito em que se afagava, do olhar triste, das poucas palavras proferidas, das perguntas instigantes...