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Os 30 que mudaram a minha vida

A despeito do título já vou logo adiantando que ainda não sou uma balzaquiana e, portanto, os 30 que provocaram em mim uma mudança substancial não são os anos (estou próxima, mas ainda não cheguei lá). Também não são homens. Quem me dera tivesse histórias de 30 amores para contar. Mas se as tivesse já estaria com o sistema nervoso completamente comprometido.  Os 30 aos quais me refiro e que representam um marco na minha breve existência são 30 reais. Sim, nobre leitor. Quantos 30 reais você e eu já gastamos não é mesmo? Com coisas necessárias e outras nem tanto. Mas hoje ao caminhar por uma calçada e ver várias apostilas de concurso enfileiradas em frente à banca lembrei-me desse investimento de 30 reais feito em 2004 ou 2005 e que hoje me rendeu tudo (em termos materiais) que eu tenho. Decidi fazer o concurso para a Caixa Econômica Federal meio que no oba-oba. Todos os meus amigos estavam fazendo concurso e resolvi, meio que pra não ficar de fora, fazer também. Até então ...

Pequenos prazeres

Dormir ouvindo barulho de chuva. Descalçar um sapato apertado. Acordar assustada porque o relógio não despertou e se lembrar que é domingo. Ouvir um eu te amo do filho inesperadamente. Olhar um passarinho no jardim. Tomar um banho quente em um dia frio. Cantar no chuveiro bem alto. Achar uma moedinha na rua. Chupar picolé de cajá com sal. Dormir de conchinha. Garanto que seria capaz de listar muitos outros.  Pequenos prazeres estão nos rodeando a todo momento e raramente os percebemos. Estamos tão encanados nos grandes prazeres que esquecemos dos cotidianos. Carro novo, viagem pra praia, viagem pro exterior, casa grande, roupas de marca, lugares sofisticados, comida requintada, corpão da hora e tudo o mais! Tenho tido o meu pequeno prazer especial. Voltei à minha infância e me recordo dos dias vividos no interior em que eu plantava e conversava com a plantinhas. Não tive outras crianças para brincar comigo, portanto, brincava sozinha no quintal. Obser...

Posts

É curioso o ato de se expressar. Quando criei o blog queria apenas escrever. Dizer o que penso, contar histórias, lorotar... Mas hoje o blog é meio incômodo para mim, pois, as palavras uma vez lançadas não há como recolhê-las. Estou passando por um hearthstorm (neologismo meu para brainstorm de sentimentos) e sequer posso escrever coisas sobre ele aqui, porque tudo que eu disser, poderá ser usado contra mim no tribunal. Mas são coisas fantásticas! Que não deveriam ficar presas em mim! Bem, na verdade, são fantásticas para mim, para outros podem ser fúteis, sinceras demais, óbvias, inescrupulosas, hipócritas... vai do lugar que cada leitor ocupa no contexto. Por exemplo, numa situação hipotética de traição. O traído tem um ponto de vista revoltado, o traidor suas desculpas (esfarrapadas) e o puto (ou puta) o seu lugar de omissão, tipo, não tenho nada a ver com isso. Há parte da plateia que diz "ah, isso é normal" e outra parte dizendo "joga pedra na Geni". ...

Óculos pra que te quero?

Perdi meus óculos. Para quem usa óculos sabe a tragédia que isso representa. Primeiro, um ultraje moral, porque é lamentável se precisar de uma ferramenta para suprir aquilo que naturalmente o seu corpo já não faz mais. Solidarizo-me com os usuários de muletas, bengalas, aparelhos auditivos e outros. A nossa completude está associada a um objeto e isso é triste. O outro lado é o fático: eu não enxergo sem óculos. Sim, sim, são apenas dois graus de miopia, mas para mim representa muito! Sair sem óculos? Nem pensar! Já tenho fama de metida enxergando as pessoas, se não vê-las então, tô lascada! Sem falar da agonia de ver tudo embaçado, desfocado, tremido, borrado... como preferir.  Comecei a escrever esse post por uma situação engraçada: coloquei meu óculos em algum lugar, mas não me lembro onde. Não enxergo de longe o suficiente para ver se está em cima da cama, ou da pia, ou do sofá e, portanto, saio tateando os móveis. Que tristeza, meu Deus! Uma jovem de 28 anos tateando móv...

Rescisão contratual

No ano passado manifestei o meu desejo de me demitir de algumas coisas. Continuo com o mesmo desejo. Ando cansada dos extremos. Pessoas radicais demais em suas opiniões não andam me interessando muito... nem aquelas que as trocam com se tirasse uma peça de roupa. Sentimentos pegajosos demais são enfadonhos... a falta deles me angustia. Trabalho complexo demais me torra os neurônios... já o simples me entedia. A fala alta me irrita... a baixa também...

Quão profundo é o seu amor?

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O assunto casamento é recorrente neste blog. Talvez eu possa parecer a raposa desdenhando as uvas, dizendo que estão verdes e tal... Mas a verdade é que o casamento é algo que vejo cada dia com olhinhos mais céticos e distantes. Se eu disser que não quero casar de jeito nenhum, obviamente estarei mentindo. Sou adepta do novo e quase tudo que ainda não experimentei desperta em mim certa dose de curiosidade. Todavia, vejo o matrimônio como algo difícil de ser realizado. Não pela minha idade, porque vejo gente de todas as idades se casando todos os dias e graças ao bom Santo Antônio, idade não é mais fator determinante para ninguém. Também não é o fato de ter meu filho, que como bem diz o pronome possessivo, é MEU e não seria incumbência nem estorvo para um eventual marido. Possivelmente um fator impactante para o não casamento seria a indisponibilidade masculina. Os homens não querem se casar. Mas isso é assunto para outro post. Hoje eu quero falar mesmo é do raro momento em que eu te...

Água morna em 2014

Eu gosto de tomar banho em água morna. Posso, inclusive, dizer que esse tem sido o meu maior prazer: tomar banho em água morna. Que se dane se envelhece a pele! Tem sido o meu único prazer e não vou deixar de fazê-lo. E é justamente isso que me preocupa: o único. Meu Deus, o meu único prazer tem sido um banho de água morna! É muito pouco, não?! Sim, me admiro com a falta de prazeres que ando "não vivendo". Falta-me emoções, aventuras, descobertas... tudo está exatamente como o meu banho: morno. Minha culpa? Talvez. O que se esperar de uma empregada pública de banco com um filho para criar? Não posso me permitir muitas coisas novas e extravagantes... a vida comedida (e morna) por enquanto tem sido a melhor opção. O que desejar para 2014? Um emprego com atividades eufóricas? viagens a lugares interessantes? uma paixão arrebatadora? Não sei se desejo tudo isso... Queria, na verdade, apenas encontrar o prazer no pouco que tenho. Comer meu feijão com arroz e sentir seu sa...

Natal, parte II

2013 foi um ano de realização para mim. Comprei uma casa. E, consequentemente, um ano de endividamento. Meu lema: Deus provê, Deus proverá. Vou trabalhar, dar duro e colocar as finanças em dia. Entretanto, para que isso aconteça precisarei de uma moderada dose de controle. Muito bem, onde o Natal entra nessa bagaça toda?! Entra quando o filho pede um presente muito além da sua capacidade financeira para o momento. Pedro Paulo está numa fase Bendézica, tudo do Ben 10!!! Viu um tal carrinho de controle remoto do Ben 10, um Anfibious, e alucinou... surtou de vez... saiu pedindo o tal carrinho pra todo mundo! Atirando para todo lado! -Filho, o carrinho é muito caro. A mamãe não pode comprá-lo para você. -Ah, você dá um pouquinho de dinheiro, a vovó dá um pouquinho de dinheiro, o vovô dá um pouquinho de dinheiro e a gente compra ele! Apesar de ficar tocada com as noções de cooperativismo do meu filho, além da questão financeira, não acho correto dar um presente tão caro a uma...

Natal, parte I

Tentando intimidar/chantagear meu filho: -Rêêê, fiiilho... O que será que Papai Noel ia pensar se visse isso que você fez, hein? -Não quero saber da opinião dele. Eu quero é o presente.

Joio e trigo

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Hoje eu conversava com uma amiga sobre coerência. Ser coerente é não discrepar em suas falas, pensamentos e/ou atitudes. É ser condizente nesses três aspectos. Fácil? Não, não é. Mas a incoerência chama mais a atenção do que aquela maldita casquinha de feijão preto no dente ou do que um sapato fúcsia.  Eu mesma vivo reparando as pessoas e julgando-as. Não todos. Tenho os meus preferidos. Gosto dos hipócritas. Gosto daqueles que acham que não estamos vendo o que estão fazendo. Gosto de julgar mentalmente e condenar à prisão perpétua.  Imagine vocês um pastor. Um ídolo para seus fiéis. Uma reputação ilibada que prega a mais alta moral entre seus súditos... comendo menininhas fora do casamento. Imagine o chefe, algoz dos bons costumes na empresa. Implicado até com os que deixam o posto momentaneamente para ir ao banheiro, implacável com as horas extras na empresa... roubando dos próprios sócios. O gostosão pagando de bacana, comendo em lugares chiques, viajando m...

Saída pela tangente

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O Leão da Montanha foi um ícone na criação de muita gente. -Saída pela esquerda! - dizia ele. Tangenciar também é ótimo negócio para os evasivos. Flerta com o cateto oposto e com o cateto adjacente ao mesmo tempo. Não concordo, nem discordo... muito pelo contrário. Dúbio até mandar parar. Sei ser evasiva quando me convém, mas o fato é que, na maioria das vezes, prefiro enfrentar. Homem é diferente. Para eles a melhor saída e mais rápida é sempre correr. Corra, Forrest, corra! Leão da Montanha é masculino. Forrest Gump é masculino. Basta digitar a expressão "Tô caindo fora" no Google e verá a resposta : os cinco primeiros resultados são de músicas cantadas por homens, a sexta é cantada pela Ana Carolina (o que dá quase na mesma). Portanto, é com toda propriedade, vivência e conhecimento de causa que afirmo que homens são evasivos. Entretanto, há alguns piores que outros. Há aqueles que não evadem apenas no sentido de dar um retorno esperado diante de uma situa...

A vez do exercício (de novo)

Eu sou um fracasso! Sim fracassei todas as vezes que tentei me exercitar. Nunca consegui me entusiasmar com uma atividade física por um ano inteiro - e olha que já vivi 28 deles! Não levo jeito para esportes coletivos. Cobro muito de mim mesma e assim o faço quando passo um passe errado, ou perco uma bola, ou simplesmente por não estar no lugar certo na hora em que eu deveria. E, pra ser sincera, não tenho um espírito competitivo muito acirrado. Baseada nisso, há dois anos, quando tive um princípio de tendinite nos pulsos, o médico me disse categoricamente "você precisa se exercitar e tem que ser algo que goste, porque tem de ser pelo resto da vida". Aí eu surtei: as palavras "exercitar" + "goste" + "resto da vida" parecem extremamente incoerentes para mim quando colocadas num mesmo contexto. Bem, mas ordens médicas são ordens médicas. E eis que depois de muito matutar acerca de algo "para o resto da vida" cheguei à conclusão...

Procuração

Estou passando uma procuração para quem se interessar a responder aos questionamentos do meu curioso filho. Cargo: Respondedor de perguntas Salário: Satisfação de estar contribuindo para o crescimento de uma criança Formação requerida: PhD em Harvard ou Oxford em Pedagogia Temas: Assuntos diversos que envolvam coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar, além de português, matemática, história, geografia, biologia, ensino religioso, educação física, OSPB, moral e cívica, filosofia, sociologia, mitologia, artes, também magia e meditação e o que mais aparecer. Tive essa brilhante ideia ao ter de responder mais algumas daquelas perguntas que me deixam atônita, ou seja, sem saber por onde começar. -Mãe, por que o óleo pega fogo e o leite não pega? -Como é que se fabrica chiclete? -Como é que a bosta é feita na nossa barriga? -Como é que é feito esse franguinho (Nuggets)? Eu sei, eu sei... é lindo o processo de aprendizado da criança. Mas, e eu? Como é que eu arranjo respostas p...

Análise combinatória

Em conversa com uma amiga, lá estava eu a reclamar dos príncipes encantados que aparecem e desaparecem da nossa vida. Aí, ela me abriu os olhos para que "príncipe encantado" pode se desdobrar em quatro possibilidades: Príncipe Encantado: homem gentil, educado, que nos ama, que faz todas aquelas coisas lindas que adoramos, a perfeição em pessoa, que, por ser encantado, nos inebria em sentimentos gostosos e nos sentimos bem somente por estar ao nosso lado. Príncipe Que Não É Encantado : homem perfeito em todos os atributos, mas que não estala aquele clic no nosso coração. Encantado Que Não é Príncipe : simplesmente gostamos dele sem que haja um motivo sequer. É o encanto. Não É Príncipe, Nem Encantado : não é nada. Não te encanta, não faz nada por você. Somente é homem. Senhoritas, façam as suas escolhas!

Domingão

Querido diário, Hoje foi um dia intenso. Tão intenso que estou com preguiça de contá-lo. Fica pra amanhã.

Garupa

Hoje senti saudade. Sabe, aquele misto de coisa boa com coisa ruim - tipo soro caseiro, que mistura sal com açúcar - que vem no peito de vez em quando ao lembrarmos de alguém ou de alguma situação. Saudade pra mim é isso: fico feliz por ter vivido e convivido, mas fico triste porque não vou viver e conviver novamente... não sob as mesmas circunstâncias. Lembrei da garupa da bicicleta Monark dourada ano 85 do meu pai. Papai me levava todos os dias para a escola montada na bicicleta. Ele, marceneiro, fichado na Prefeitura Municipal de Itapuranga, pai de filha única. Bom pai. Eu, aluna da Escola Estadual Joaquim da Silva Moreira, pasta amarela debaixo do braço, material escolar barato (mas organizado), camiseta da escola e saia azul plissada. Menina chorona. Sentada na garupa da bicicleta dourada ainda lembro dos comandos: -Abra bem as pernas. Cuidado pra não por o pé no raio. -Segura pra não cair pra trás. -Desça só quando a bicicleta parar. Meu pai é um homem ...

Perdão

Quantas vezes devemos perdoar? Não quero o clichê bíblico de 490 vezes, esse já está demodè... Pode deixar que eu mesma respondo. Resposta: Depende. Se for eu ou você que tivermos de perdoar alguém, que seja o mínimo de vezes necessário, porque afinal, não toleramos erros. As pessoas que erram são incompetentes, descuidadas ou até burras! Portanto, nem ouse contar com o nosso perdão, pois preferimos soltá-lo a conta-gotas. Agooooraa... Se quem estiver pedindo perdão for eu, aí sim ele deve ser concedido inúmeras vezes... quantas forem necessárias... perdões a perder de vista. Para quem me conhece pouco, poderá interpretar esse texto como sendo presunçoso e hipócrita. Perdoe-me, mas não o é. Estou aqui reconhecendo o quanto somos exigentes com as pessoas que nos rodeiam e que o grau de exigência simplesmente despenca para quase zero quando se trata de nós mesmos. Andam muito decepcionada com as pessoas que me julgam sem conhecer meus motivos, sem perguntar pelos m...

Nota de 10

Depois de fazer mais uma de suas proezas, Pedro solta: -Gostou, mamãe? -Ah, adorei! Você é um filhinho nota 10! -Nota de dez, mamãe? Pense só: meu filho não sabe o que é uma nota 10, porque ainda não vai à escola. Entretanto, uma nota de dez ele sabe muito bem para que serve.

Ai...

...minha ânsia.

Solta a vida e empina a pipa

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Mês que vem farei 28 anos. Já andei a cavalo.  Já beijei namoradinho no portão. Pesquei traíra em córrego. Mas nunca tive um cão, nem andei de patins. Hoje, faltando pouco mais de um mês para completar 28 anos, eu soltei pipa. Nunca havia empinado uma pipa na minha vida. Sequer tinha lido um livro para aprender a técnica para colocá-la no ar e fazê-la subir - sim, porque muitas coisas não conhecemos na prática, mas somos doutores em teoria. Entretanto, ser mãe solteira nos faz ficar expertes em papéis duplos. Não que eu esteja dizendo que uma mãe não possa soltar pipa com o filho (tanto que assim o fiz), mas se meu filho tivesse um pai presente com certeza eu delegaria essa função a ele. Ser mãe é desdobrar. É pagar um mico em troca de um sorriso. É poder ter o orgulho de dizer que daquela memória, eu fiz parte. Enquanto eu ia pelejando com aquela coisa e a cada metro que ela subia, eu me sentia um pouquinho mais feliz e realizada. Comecei a fazer comparações c...