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Água morna em 2014

Eu gosto de tomar banho em água morna. Posso, inclusive, dizer que esse tem sido o meu maior prazer: tomar banho em água morna. Que se dane se envelhece a pele! Tem sido o meu único prazer e não vou deixar de fazê-lo. E é justamente isso que me preocupa: o único. Meu Deus, o meu único prazer tem sido um banho de água morna! É muito pouco, não?! Sim, me admiro com a falta de prazeres que ando "não vivendo". Falta-me emoções, aventuras, descobertas... tudo está exatamente como o meu banho: morno. Minha culpa? Talvez. O que se esperar de uma empregada pública de banco com um filho para criar? Não posso me permitir muitas coisas novas e extravagantes... a vida comedida (e morna) por enquanto tem sido a melhor opção. O que desejar para 2014? Um emprego com atividades eufóricas? viagens a lugares interessantes? uma paixão arrebatadora? Não sei se desejo tudo isso... Queria, na verdade, apenas encontrar o prazer no pouco que tenho. Comer meu feijão com arroz e sentir seu sa...

Natal, parte II

2013 foi um ano de realização para mim. Comprei uma casa. E, consequentemente, um ano de endividamento. Meu lema: Deus provê, Deus proverá. Vou trabalhar, dar duro e colocar as finanças em dia. Entretanto, para que isso aconteça precisarei de uma moderada dose de controle. Muito bem, onde o Natal entra nessa bagaça toda?! Entra quando o filho pede um presente muito além da sua capacidade financeira para o momento. Pedro Paulo está numa fase Bendézica, tudo do Ben 10!!! Viu um tal carrinho de controle remoto do Ben 10, um Anfibious, e alucinou... surtou de vez... saiu pedindo o tal carrinho pra todo mundo! Atirando para todo lado! -Filho, o carrinho é muito caro. A mamãe não pode comprá-lo para você. -Ah, você dá um pouquinho de dinheiro, a vovó dá um pouquinho de dinheiro, o vovô dá um pouquinho de dinheiro e a gente compra ele! Apesar de ficar tocada com as noções de cooperativismo do meu filho, além da questão financeira, não acho correto dar um presente tão caro a uma...

Natal, parte I

Tentando intimidar/chantagear meu filho: -Rêêê, fiiilho... O que será que Papai Noel ia pensar se visse isso que você fez, hein? -Não quero saber da opinião dele. Eu quero é o presente.

Joio e trigo

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Hoje eu conversava com uma amiga sobre coerência. Ser coerente é não discrepar em suas falas, pensamentos e/ou atitudes. É ser condizente nesses três aspectos. Fácil? Não, não é. Mas a incoerência chama mais a atenção do que aquela maldita casquinha de feijão preto no dente ou do que um sapato fúcsia.  Eu mesma vivo reparando as pessoas e julgando-as. Não todos. Tenho os meus preferidos. Gosto dos hipócritas. Gosto daqueles que acham que não estamos vendo o que estão fazendo. Gosto de julgar mentalmente e condenar à prisão perpétua.  Imagine vocês um pastor. Um ídolo para seus fiéis. Uma reputação ilibada que prega a mais alta moral entre seus súditos... comendo menininhas fora do casamento. Imagine o chefe, algoz dos bons costumes na empresa. Implicado até com os que deixam o posto momentaneamente para ir ao banheiro, implacável com as horas extras na empresa... roubando dos próprios sócios. O gostosão pagando de bacana, comendo em lugares chiques, viajando m...

Saída pela tangente

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O Leão da Montanha foi um ícone na criação de muita gente. -Saída pela esquerda! - dizia ele. Tangenciar também é ótimo negócio para os evasivos. Flerta com o cateto oposto e com o cateto adjacente ao mesmo tempo. Não concordo, nem discordo... muito pelo contrário. Dúbio até mandar parar. Sei ser evasiva quando me convém, mas o fato é que, na maioria das vezes, prefiro enfrentar. Homem é diferente. Para eles a melhor saída e mais rápida é sempre correr. Corra, Forrest, corra! Leão da Montanha é masculino. Forrest Gump é masculino. Basta digitar a expressão "Tô caindo fora" no Google e verá a resposta : os cinco primeiros resultados são de músicas cantadas por homens, a sexta é cantada pela Ana Carolina (o que dá quase na mesma). Portanto, é com toda propriedade, vivência e conhecimento de causa que afirmo que homens são evasivos. Entretanto, há alguns piores que outros. Há aqueles que não evadem apenas no sentido de dar um retorno esperado diante de uma situa...

A vez do exercício (de novo)

Eu sou um fracasso! Sim fracassei todas as vezes que tentei me exercitar. Nunca consegui me entusiasmar com uma atividade física por um ano inteiro - e olha que já vivi 28 deles! Não levo jeito para esportes coletivos. Cobro muito de mim mesma e assim o faço quando passo um passe errado, ou perco uma bola, ou simplesmente por não estar no lugar certo na hora em que eu deveria. E, pra ser sincera, não tenho um espírito competitivo muito acirrado. Baseada nisso, há dois anos, quando tive um princípio de tendinite nos pulsos, o médico me disse categoricamente "você precisa se exercitar e tem que ser algo que goste, porque tem de ser pelo resto da vida". Aí eu surtei: as palavras "exercitar" + "goste" + "resto da vida" parecem extremamente incoerentes para mim quando colocadas num mesmo contexto. Bem, mas ordens médicas são ordens médicas. E eis que depois de muito matutar acerca de algo "para o resto da vida" cheguei à conclusão...

Procuração

Estou passando uma procuração para quem se interessar a responder aos questionamentos do meu curioso filho. Cargo: Respondedor de perguntas Salário: Satisfação de estar contribuindo para o crescimento de uma criança Formação requerida: PhD em Harvard ou Oxford em Pedagogia Temas: Assuntos diversos que envolvam coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar, além de português, matemática, história, geografia, biologia, ensino religioso, educação física, OSPB, moral e cívica, filosofia, sociologia, mitologia, artes, também magia e meditação e o que mais aparecer. Tive essa brilhante ideia ao ter de responder mais algumas daquelas perguntas que me deixam atônita, ou seja, sem saber por onde começar. -Mãe, por que o óleo pega fogo e o leite não pega? -Como é que se fabrica chiclete? -Como é que a bosta é feita na nossa barriga? -Como é que é feito esse franguinho (Nuggets)? Eu sei, eu sei... é lindo o processo de aprendizado da criança. Mas, e eu? Como é que eu arranjo respostas p...

Análise combinatória

Em conversa com uma amiga, lá estava eu a reclamar dos príncipes encantados que aparecem e desaparecem da nossa vida. Aí, ela me abriu os olhos para que "príncipe encantado" pode se desdobrar em quatro possibilidades: Príncipe Encantado: homem gentil, educado, que nos ama, que faz todas aquelas coisas lindas que adoramos, a perfeição em pessoa, que, por ser encantado, nos inebria em sentimentos gostosos e nos sentimos bem somente por estar ao nosso lado. Príncipe Que Não É Encantado : homem perfeito em todos os atributos, mas que não estala aquele clic no nosso coração. Encantado Que Não é Príncipe : simplesmente gostamos dele sem que haja um motivo sequer. É o encanto. Não É Príncipe, Nem Encantado : não é nada. Não te encanta, não faz nada por você. Somente é homem. Senhoritas, façam as suas escolhas!

Domingão

Querido diário, Hoje foi um dia intenso. Tão intenso que estou com preguiça de contá-lo. Fica pra amanhã.

Garupa

Hoje senti saudade. Sabe, aquele misto de coisa boa com coisa ruim - tipo soro caseiro, que mistura sal com açúcar - que vem no peito de vez em quando ao lembrarmos de alguém ou de alguma situação. Saudade pra mim é isso: fico feliz por ter vivido e convivido, mas fico triste porque não vou viver e conviver novamente... não sob as mesmas circunstâncias. Lembrei da garupa da bicicleta Monark dourada ano 85 do meu pai. Papai me levava todos os dias para a escola montada na bicicleta. Ele, marceneiro, fichado na Prefeitura Municipal de Itapuranga, pai de filha única. Bom pai. Eu, aluna da Escola Estadual Joaquim da Silva Moreira, pasta amarela debaixo do braço, material escolar barato (mas organizado), camiseta da escola e saia azul plissada. Menina chorona. Sentada na garupa da bicicleta dourada ainda lembro dos comandos: -Abra bem as pernas. Cuidado pra não por o pé no raio. -Segura pra não cair pra trás. -Desça só quando a bicicleta parar. Meu pai é um homem ...

Perdão

Quantas vezes devemos perdoar? Não quero o clichê bíblico de 490 vezes, esse já está demodè... Pode deixar que eu mesma respondo. Resposta: Depende. Se for eu ou você que tivermos de perdoar alguém, que seja o mínimo de vezes necessário, porque afinal, não toleramos erros. As pessoas que erram são incompetentes, descuidadas ou até burras! Portanto, nem ouse contar com o nosso perdão, pois preferimos soltá-lo a conta-gotas. Agooooraa... Se quem estiver pedindo perdão for eu, aí sim ele deve ser concedido inúmeras vezes... quantas forem necessárias... perdões a perder de vista. Para quem me conhece pouco, poderá interpretar esse texto como sendo presunçoso e hipócrita. Perdoe-me, mas não o é. Estou aqui reconhecendo o quanto somos exigentes com as pessoas que nos rodeiam e que o grau de exigência simplesmente despenca para quase zero quando se trata de nós mesmos. Andam muito decepcionada com as pessoas que me julgam sem conhecer meus motivos, sem perguntar pelos m...

Nota de 10

Depois de fazer mais uma de suas proezas, Pedro solta: -Gostou, mamãe? -Ah, adorei! Você é um filhinho nota 10! -Nota de dez, mamãe? Pense só: meu filho não sabe o que é uma nota 10, porque ainda não vai à escola. Entretanto, uma nota de dez ele sabe muito bem para que serve.

Ai...

...minha ânsia.

Solta a vida e empina a pipa

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Mês que vem farei 28 anos. Já andei a cavalo.  Já beijei namoradinho no portão. Pesquei traíra em córrego. Mas nunca tive um cão, nem andei de patins. Hoje, faltando pouco mais de um mês para completar 28 anos, eu soltei pipa. Nunca havia empinado uma pipa na minha vida. Sequer tinha lido um livro para aprender a técnica para colocá-la no ar e fazê-la subir - sim, porque muitas coisas não conhecemos na prática, mas somos doutores em teoria. Entretanto, ser mãe solteira nos faz ficar expertes em papéis duplos. Não que eu esteja dizendo que uma mãe não possa soltar pipa com o filho (tanto que assim o fiz), mas se meu filho tivesse um pai presente com certeza eu delegaria essa função a ele. Ser mãe é desdobrar. É pagar um mico em troca de um sorriso. É poder ter o orgulho de dizer que daquela memória, eu fiz parte. Enquanto eu ia pelejando com aquela coisa e a cada metro que ela subia, eu me sentia um pouquinho mais feliz e realizada. Comecei a fazer comparações c...

Discutindo religiosidade

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Ontem me senti muito despreparada religiosamente para ensinar qualquer conceito religioso ao meu filho. Voltávamos de um passeio e Pedro vinha resmungando pelo caminho, como habitualmente o faz quando algo não sai do seu agrado. -Papai do Céu, eu quero que você ponha todos os meus amiguinhos de castigo porque eles estavam brincando com os meus brinquedos... -Que que foi, meu filho? -Nada, não, mãe. Tô falando com Papai do Céu. -Tá pedindo chuva pra nós? -Não. Tô falando pra ele colocar meus amiguinhos de castigo porque eles estavam brincando com as minhas coisas. Mãe, como é que o Papai do Céu põe a gente de castigo? (engoli seco) -Uai, meu filho. Acontece algo pra gente que a gente fica triste. Isso pode ser um castigo do Papai do Céu. Tipo, se você não deixa seus amiguinhos brincarem com seus brinquedos, aí um deles quebra. Isso é castigo porque você não dividiu. -Se Papai do Céu quebrar um brinquedo meu, eu falo pros anjinhos lá no Céu botarem Ele de castigo! -Mas...

Quem tem olhos, veja

Leitor amigo, você já se sentiu pequeno? Bem pequeno mesmo? Minúsculo? E olhou para as outras pessoas e as viu gigantes, enormes, assustadoramente grandes? Não, eu não estou me sentindo assim. Mas gostaria muito de saber qual a perspectiva que os "gigantes" têm dos seres minúsculos lá embaixo. Conheço tantas pessoas que se acham maiores do que outras... Tantas pessoas que se pensam superiores... Às vezes, me embrulha o estômago pensar que alguns seres não conseguem sequer olhar para seus próprios defeitos e admiti-los simplesmente por estarem ocupados demais procurando as imperfeições das outras pessoas. Há algumas semanas atrás uma vendedora me disse que eu tinha uma energia boa. Vejam só! Uma mulher que nunca me viu na vida conseguiu captar minha energia - e, sim, ela é boa, posso garantir isso. Posso ter defeitos, umas amargurazinhas, uns ressentimentos, mas no geral... sou uma pessoa do bem. Todavia, alguns  gostam de me denegrir. Por mais que tenham convivido comi...

Papel de presente ou papelão?

Conversando com um amigo, ele brincou:  -Gostaria de ser um papel de presente, assim todos olhariam para mim e ficariam felizes. Eu sou uma caixa de papelão que as pessoas querem logo abrir pra ver o que tem dentro, ou querem me usar para carregar coisas, uns me jogam fora, outros me catam na rua para revender. A interessante metáfora do meu amigo me fez refletir um pouco. Somos papel de presente ou uma caixa de papelão? Vou limitar a minha interpretação à canção do O Teatro Mágico, que expressou lindamente esse sentimento em "Cidadão de Papelão". O cara que catava papelão pediu Um pingado quente, em maus lençóis, nem voz Nem terno, nem tampouco ternura À margem de toda rua, sem identificação, sei não Um homem de pedra, de pó, de pé no chão De pé na cova, sem vocação, sem convicção À margem de toda candura À margem de toda candura À margem de toda candura Um cara, um papo, um sopapo, um papelão Cria a dor, cria e atura Cria a dor, cri...

Don't take my hand

O Facebook é um grande conselheiro.  Tiro muitos conselhos sábios de lá. Ontem mesmo li o seguinte "Durma com ideias e acorde com atitudes." Estou prestes a tomar uma atitude, com um delay de... digamos... uns dez anos... Nesse momento o ditado "Antes tarde do que nunca" faz todo o sentido do mundo. Mas preciso confessar uma coisa: tenho medo. Tenho medo do que é novo. Tenho medo dos sentimentos com os quais não consigo lidar. Tenho medo da opinião alheia. E, hoje, no discurso de uma colega do trabalho que se aposentou, veio mais uma frase para somar a esse turbilhão pelo qual estou passando nesse momento. A colega disse mais ou menos assim: eu queria sair daqui à francesa, sem ser notada, sem ter de passar por esse momento aqui, emocionada, despedindo de vocês. Entretanto, eu me lembrei que nunca fugi de nada da minha vida e não é agora que vou fazer isso, nesse momento tão especial para mim. Agradeço a Deus por ter tomado essa decisão, porque me sinto muito...

Suicídio sentimental

Ultimamente tenho tido dores no peito, falta de ar, calafrios na barriga, nós na garganta... São sintomas recorrentes de uma alma presa. São sintomas de uma pessoa presa em orgulho. Mas não quero soltá-los. Meus sentimentos soltos são tolos demais, frágeis demais. Ninguém os valoriza, ninguém os leva a sério. Prefiro assim: todos presos dentro de mim, me causando desconfortos e me tirando a paz. Libertar sentimentos soa como fraqueza... e se tem uma coisa que eu não sou é fraca. Fui forte o bastante pra suportar até aqui e vou permanecer suportando... e definhando... e me enclausurando... e sofrendo. Eu até gostaria de dizê-los, mas para todos que escolhi revelá-los se opuseram a me ouvir. Eu disse ouvir. Porque escutar, até as pedras escutam.  Sentimentos, fiquem todos aqui no meu peito e permaneçam me esfaqueando de dentro pra fora. Sigam a sua metástase e me levem à sucumbência, se é isso que querem.

Minha viagem à Chapada

Quando recebi o convite para conhecer o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros já estava com outra pequena viagem marcada com algumas amigas. Confesso que não gosto de viajar dois finais de semana seguidos. Entretanto, era um senhor convite. Um daqueles que aparecem raramente e, melhor ainda, tinha chances de dar certo. Sim, vamos. Tenho de reconhecer que não poderia ter ido em companhia melhor. Uma pessoa amável, educada, disposta (e bota disposição aí, porque eu jamais seria capaz de dirigir todos os quilômetros que ele dirigiu!), zelosa e inteligente. Realmente uma ótima companhia. As belezas naturais do lugar são inegáveis. A simplicidade do povo interiorano, a misticidade do local e a tranquilidade que o ar puro nos traz é um refresco para a alma e a mente atribulada. Lamentei somente não termos mais dias para desfrutar daquele paraíso. Tantos lugares ainda ficaram por conhecer. Coisas novas para experimentar. Um convite ao retorno. Os Kalungas - comunidade quilombo...