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Domingão

Querido diário, Hoje foi um dia intenso. Tão intenso que estou com preguiça de contá-lo. Fica pra amanhã.

Garupa

Hoje senti saudade. Sabe, aquele misto de coisa boa com coisa ruim - tipo soro caseiro, que mistura sal com açúcar - que vem no peito de vez em quando ao lembrarmos de alguém ou de alguma situação. Saudade pra mim é isso: fico feliz por ter vivido e convivido, mas fico triste porque não vou viver e conviver novamente... não sob as mesmas circunstâncias. Lembrei da garupa da bicicleta Monark dourada ano 85 do meu pai. Papai me levava todos os dias para a escola montada na bicicleta. Ele, marceneiro, fichado na Prefeitura Municipal de Itapuranga, pai de filha única. Bom pai. Eu, aluna da Escola Estadual Joaquim da Silva Moreira, pasta amarela debaixo do braço, material escolar barato (mas organizado), camiseta da escola e saia azul plissada. Menina chorona. Sentada na garupa da bicicleta dourada ainda lembro dos comandos: -Abra bem as pernas. Cuidado pra não por o pé no raio. -Segura pra não cair pra trás. -Desça só quando a bicicleta parar. Meu pai é um homem ...

Perdão

Quantas vezes devemos perdoar? Não quero o clichê bíblico de 490 vezes, esse já está demodè... Pode deixar que eu mesma respondo. Resposta: Depende. Se for eu ou você que tivermos de perdoar alguém, que seja o mínimo de vezes necessário, porque afinal, não toleramos erros. As pessoas que erram são incompetentes, descuidadas ou até burras! Portanto, nem ouse contar com o nosso perdão, pois preferimos soltá-lo a conta-gotas. Agooooraa... Se quem estiver pedindo perdão for eu, aí sim ele deve ser concedido inúmeras vezes... quantas forem necessárias... perdões a perder de vista. Para quem me conhece pouco, poderá interpretar esse texto como sendo presunçoso e hipócrita. Perdoe-me, mas não o é. Estou aqui reconhecendo o quanto somos exigentes com as pessoas que nos rodeiam e que o grau de exigência simplesmente despenca para quase zero quando se trata de nós mesmos. Andam muito decepcionada com as pessoas que me julgam sem conhecer meus motivos, sem perguntar pelos m...

Nota de 10

Depois de fazer mais uma de suas proezas, Pedro solta: -Gostou, mamãe? -Ah, adorei! Você é um filhinho nota 10! -Nota de dez, mamãe? Pense só: meu filho não sabe o que é uma nota 10, porque ainda não vai à escola. Entretanto, uma nota de dez ele sabe muito bem para que serve.

Ai...

...minha ânsia.

Solta a vida e empina a pipa

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Mês que vem farei 28 anos. Já andei a cavalo.  Já beijei namoradinho no portão. Pesquei traíra em córrego. Mas nunca tive um cão, nem andei de patins. Hoje, faltando pouco mais de um mês para completar 28 anos, eu soltei pipa. Nunca havia empinado uma pipa na minha vida. Sequer tinha lido um livro para aprender a técnica para colocá-la no ar e fazê-la subir - sim, porque muitas coisas não conhecemos na prática, mas somos doutores em teoria. Entretanto, ser mãe solteira nos faz ficar expertes em papéis duplos. Não que eu esteja dizendo que uma mãe não possa soltar pipa com o filho (tanto que assim o fiz), mas se meu filho tivesse um pai presente com certeza eu delegaria essa função a ele. Ser mãe é desdobrar. É pagar um mico em troca de um sorriso. É poder ter o orgulho de dizer que daquela memória, eu fiz parte. Enquanto eu ia pelejando com aquela coisa e a cada metro que ela subia, eu me sentia um pouquinho mais feliz e realizada. Comecei a fazer comparações c...

Discutindo religiosidade

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Ontem me senti muito despreparada religiosamente para ensinar qualquer conceito religioso ao meu filho. Voltávamos de um passeio e Pedro vinha resmungando pelo caminho, como habitualmente o faz quando algo não sai do seu agrado. -Papai do Céu, eu quero que você ponha todos os meus amiguinhos de castigo porque eles estavam brincando com os meus brinquedos... -Que que foi, meu filho? -Nada, não, mãe. Tô falando com Papai do Céu. -Tá pedindo chuva pra nós? -Não. Tô falando pra ele colocar meus amiguinhos de castigo porque eles estavam brincando com as minhas coisas. Mãe, como é que o Papai do Céu põe a gente de castigo? (engoli seco) -Uai, meu filho. Acontece algo pra gente que a gente fica triste. Isso pode ser um castigo do Papai do Céu. Tipo, se você não deixa seus amiguinhos brincarem com seus brinquedos, aí um deles quebra. Isso é castigo porque você não dividiu. -Se Papai do Céu quebrar um brinquedo meu, eu falo pros anjinhos lá no Céu botarem Ele de castigo! -Mas...

Quem tem olhos, veja

Leitor amigo, você já se sentiu pequeno? Bem pequeno mesmo? Minúsculo? E olhou para as outras pessoas e as viu gigantes, enormes, assustadoramente grandes? Não, eu não estou me sentindo assim. Mas gostaria muito de saber qual a perspectiva que os "gigantes" têm dos seres minúsculos lá embaixo. Conheço tantas pessoas que se acham maiores do que outras... Tantas pessoas que se pensam superiores... Às vezes, me embrulha o estômago pensar que alguns seres não conseguem sequer olhar para seus próprios defeitos e admiti-los simplesmente por estarem ocupados demais procurando as imperfeições das outras pessoas. Há algumas semanas atrás uma vendedora me disse que eu tinha uma energia boa. Vejam só! Uma mulher que nunca me viu na vida conseguiu captar minha energia - e, sim, ela é boa, posso garantir isso. Posso ter defeitos, umas amargurazinhas, uns ressentimentos, mas no geral... sou uma pessoa do bem. Todavia, alguns  gostam de me denegrir. Por mais que tenham convivido comi...

Papel de presente ou papelão?

Conversando com um amigo, ele brincou:  -Gostaria de ser um papel de presente, assim todos olhariam para mim e ficariam felizes. Eu sou uma caixa de papelão que as pessoas querem logo abrir pra ver o que tem dentro, ou querem me usar para carregar coisas, uns me jogam fora, outros me catam na rua para revender. A interessante metáfora do meu amigo me fez refletir um pouco. Somos papel de presente ou uma caixa de papelão? Vou limitar a minha interpretação à canção do O Teatro Mágico, que expressou lindamente esse sentimento em "Cidadão de Papelão". O cara que catava papelão pediu Um pingado quente, em maus lençóis, nem voz Nem terno, nem tampouco ternura À margem de toda rua, sem identificação, sei não Um homem de pedra, de pó, de pé no chão De pé na cova, sem vocação, sem convicção À margem de toda candura À margem de toda candura À margem de toda candura Um cara, um papo, um sopapo, um papelão Cria a dor, cria e atura Cria a dor, cri...

Don't take my hand

O Facebook é um grande conselheiro.  Tiro muitos conselhos sábios de lá. Ontem mesmo li o seguinte "Durma com ideias e acorde com atitudes." Estou prestes a tomar uma atitude, com um delay de... digamos... uns dez anos... Nesse momento o ditado "Antes tarde do que nunca" faz todo o sentido do mundo. Mas preciso confessar uma coisa: tenho medo. Tenho medo do que é novo. Tenho medo dos sentimentos com os quais não consigo lidar. Tenho medo da opinião alheia. E, hoje, no discurso de uma colega do trabalho que se aposentou, veio mais uma frase para somar a esse turbilhão pelo qual estou passando nesse momento. A colega disse mais ou menos assim: eu queria sair daqui à francesa, sem ser notada, sem ter de passar por esse momento aqui, emocionada, despedindo de vocês. Entretanto, eu me lembrei que nunca fugi de nada da minha vida e não é agora que vou fazer isso, nesse momento tão especial para mim. Agradeço a Deus por ter tomado essa decisão, porque me sinto muito...

Suicídio sentimental

Ultimamente tenho tido dores no peito, falta de ar, calafrios na barriga, nós na garganta... São sintomas recorrentes de uma alma presa. São sintomas de uma pessoa presa em orgulho. Mas não quero soltá-los. Meus sentimentos soltos são tolos demais, frágeis demais. Ninguém os valoriza, ninguém os leva a sério. Prefiro assim: todos presos dentro de mim, me causando desconfortos e me tirando a paz. Libertar sentimentos soa como fraqueza... e se tem uma coisa que eu não sou é fraca. Fui forte o bastante pra suportar até aqui e vou permanecer suportando... e definhando... e me enclausurando... e sofrendo. Eu até gostaria de dizê-los, mas para todos que escolhi revelá-los se opuseram a me ouvir. Eu disse ouvir. Porque escutar, até as pedras escutam.  Sentimentos, fiquem todos aqui no meu peito e permaneçam me esfaqueando de dentro pra fora. Sigam a sua metástase e me levem à sucumbência, se é isso que querem.

Minha viagem à Chapada

Quando recebi o convite para conhecer o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros já estava com outra pequena viagem marcada com algumas amigas. Confesso que não gosto de viajar dois finais de semana seguidos. Entretanto, era um senhor convite. Um daqueles que aparecem raramente e, melhor ainda, tinha chances de dar certo. Sim, vamos. Tenho de reconhecer que não poderia ter ido em companhia melhor. Uma pessoa amável, educada, disposta (e bota disposição aí, porque eu jamais seria capaz de dirigir todos os quilômetros que ele dirigiu!), zelosa e inteligente. Realmente uma ótima companhia. As belezas naturais do lugar são inegáveis. A simplicidade do povo interiorano, a misticidade do local e a tranquilidade que o ar puro nos traz é um refresco para a alma e a mente atribulada. Lamentei somente não termos mais dias para desfrutar daquele paraíso. Tantos lugares ainda ficaram por conhecer. Coisas novas para experimentar. Um convite ao retorno. Os Kalungas - comunidade quilombo...

Instavida

Para gostar de uma pessoa, precisamos gostar de seus defeitos também? Precisamos aceitá-los e aplaudi-los? Bem, se a resposta for não, sinto-me à vontade para partilhar com você esse texto. Se for sim, pode parar de ler por aqui mesmo, porque certamente você não irá gostar do que vai ler. A minha implicância do dia se refere às pessoas que eu amo de paixão, mas que me irritam profundamente ao postar todas as suas refeições no Facebook ou Instagram. Não imagino de onde surgiu essa propulsão que as pessoas têm de comer uma coisa bonita, aparentemente gostosa e querer mostrar pra todo mundo o que está comendo! Aliás, hoje, o que não é postado parece que não existiu, né? Fico imaginando como esses meus amigos ficariam tristes se não pudessem postar a comida deles: -Humm... puxa... Não quero nem comer, perdi a vontade... O Instagram está fora do ar! E agora como vou mostrar pra todo mundo essa batatinha orgânica que fritei no óleo de canola argentino com cubinhos de bacon de jav...

Fala comigo?

- E, aí? O que anda fazendo de bom? Essa é uma pergunta que, se estivéssemos em meio a um coito, me faria brochar na hora.  Pessoa bacana, papo legal, diz coisas relativamente interessantes... mas quando solta o "o que anda fazendo de bom" faz com que se quebre todo o encanto. A vontade é responder: não estou fazendo nada de bom! Nada! A-b-s-o-l-u-t-a-m-e-n-t-e nada! Tudo que faço é ruim, algumas coisas são perversas e outras são extremamente desagradáveis. Não faço nada de bom há anos. Não ajudo pessoas a atravessar a rua. Não salvo gatinhos na copa de árvores. Não dou bom dia ao vizinho. Minha vida é um ciclo de maldades. Poderia também dar outra possível resposta para essas pessoas que só querem saber o que fazemos de bom na nossa vida, sem sequer se interessar pelas coisas banais, pelo trivial, pelo dia a dia nosso de cada dia. Tipo, estou fazendo muuuuitas coisas boas. Minha vida é repleta de aventuras e emoções. Ontem desci as Cataratas do Niágara, semana p...

Mi faz feliz

Para iniciar nossa conversa se fazem necessários alguns conhecimentos musicais básicos. Você sabia que um violão tem seis cordas - que podem ser de aço ou de nylon? Sabia que de cima para baixo as três primeiras se chamam bordões e as três últimas são as primas? Antes de qualquer piada, não, não conheço as irmãs, tias ou sobrinhas, apenas as primas. Ainda de cima para baixo a primeira corda reproduz o mi, a segunda o lá, a terceira o ré, a quarta o sol, a quinta a si e a última o mi novamente. Pois vejam que curioso o mi, surge duas vezes. Certamente ele há de ser importante nessa história toda. Não sei sua real importância no contexto musical, mas para mim ele tem um significado particular que quero compartilhar fantasiosamente com vocês. O bordão fala aqui. A prima responde acolá. tom... tim... tom... tim... São uma única nota, mas que vibram diferentemente. Têm a mesma afinação e mesmo distante - por quatro outras cordas - não se perdem um do outro... tom... tim... to...

Esquecimento

http://www.conjur.com.br/2013-jun-05/stj-aplica-direito-esquecimento-primeira-vez-condena-imprensa

Tempos modernos

Como era mesmo o mundo antes do Facebook? Hummm... deixe-me ver se lembro... As fotos não eram instantâneas. Isso, a gente não sabia como tinha sido a viagem antes de a pessoa voltar de lá... parece que já existia e-mail... mas não lembro se usávamos...  E pra conversar com outras pessoas? Bem, salvo engano, existia um troço chamado Menssenger ou Messeger ou Messenger, algo parecido com isso... Ah, lembrei! MSN!!! Puxa, era até legalzinho "Bebelzinha acabou de entrar" e a cada conversinha fazia "bululup", eram tantos "bululups" de uma vez, vários emoctions e tals... puxa a gente conversava muito! Se eu forçar a minha memória um pouquinho antes... humm... tá vindo... tá vindo! Lembrei! Mensagens no celular! Era bem parecido com o Whatsapp de hoje, só que com beeem menos recursos... tínhamos que nós mesmos desenhar menininhos, menininhas, formiguinhas, gatinhos, carrinhos, peixes usando apenas pontos, parênteses, acentos, travessões. Sim, éramos mai...

Completude

Ando numa fase extremista. Ultimamente não tenho gostado muito dos meios-termos. Linhas tênues me deixam nervosa. Não quero meios amigos, não quero meia felicidade, não quero meio amor, não quero um sexo meio bom. Por isso que quando tenho de me sujeitar a meias experiências ou meios sentimentos fico de nariz torcido. Aperta lá dentro, no coração. Eu quero o que há de mais completo no mundo!!! Bom ou ruim, mas que venha por inteiro. Desprezo completo, raiva completa, mágoa completa, amor por inteiro, felicidade por inteiro, viver por inteiro é o que eu quero. As metades não têm me bastado. Mas até para ser completa é preciso tempo...

O primeiro pôr-do-sol

Voltávamos de um passeio quando meu neguinho, sentado na cadeirinha no banco traseiro, me faz a seguinte pergunta: -Mamãe, que que é aquilo? - apontando para frente. -Aquilo o quê, amor? -Aquele negócio lá na frente! -Que negócio, meu bem? -Aqueeele laranjado. Ele se referia ao céu. Nunca tinha observado o céu alaranjado do sol se pondo no horizonte. Por um momento parei para observar o quanto realmente estava lindo e fiquei chateada porque eu mesma havia deixado de repará-lo. Não era a primeira vez que eu o via - como o Pedro, aos quase quatro anos de idade. Entretanto, por muito tempo deixei de contemplar essas coisas e não tenho passado isso ao meu filho. Não é uma mea culpa, trata-se apenas de uma advertência para mim mesma de que o mundo é lindo e cabe a mim mostrar isso ao meu filho o quanto antes.

Odeio limão

Cheguei a uma brilhante conclusão: limão não me faz bem. Cerveja não me deixa de ressaca, vinho deixa uma ressaquinha bem pequenininha, whisky é tranquilo... mas o tal limão... pelo-amor-de-Deus!!!! é do Demônio!!! Tomei um drink docinho de morango, gostoso que só... depois tomei mais um com soda e curaçau blue... outro de moranguinho... até aí, tudo certo. -Me vê mais uma paradinha daquelas, meu amor (meu amor era como eu chamava o barman àquela altura do campeonato). -O morango acabou. -E o que você tem aí? -Limão. -Ah, então faz esse negócio de limão aí mesmo. -Vodka ou cachaça? -Tanto faz. Pronto. Daí pra frente a coisa degringolou geral. Por que eu não parei? Por quê??? Culpa do Belzebu que escolheu o limão para ser a sua casa. O Encardido está escondido entre os gominhos daquela fruta pestilenta! Juro solenemente neste blog que nunca mais deixarei um único limão sequer me prejudicar. Tenho dito!